Flávio Roscoe, candidato do PL ao Governo de Minas Gerais, apresentou propostas para a administração estadual e falou sobre sua experiência como gestor em entrevista ao SINDIJORI, realizada em 25 de setembro. Empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), ele disputa pela primeira vez um cargo eletivo.
Durante a conversa, Roscoe abordou a redução da burocracia estadual, a educação, a segurança pública e seu posicionamento político. A principal linha defendida pelo candidato é levar para o governo práticas de gestão que, segundo ele, foram aplicadas durante sua passagem pela FIEMG.
Gestão e desburocratização
Roscoe afirmou que encontrou a FIEMG endividada ao assumir a presidência. Segundo ele, as dívidas foram quitadas durante sua gestão, que também teria criado uma capacidade de investimento de cerca de R$ 3,5 bilhões em caixa.
Entre 2018 e 2026, de acordo com o candidato, foram investidos mais de R$ 1,3 bilhão em infraestrutura, tecnologia e educação, além da ampliação da rede SESI e SENAI. Ele disse que pretende aplicar essa experiência na administração estadual e resumiu sua proposta com a frase: “Menos discurso, mais entrega.”
O candidato também afirmou que sua indicação para a disputa ocorreu após escolha entre diferentes nomes, considerando seu histórico como gestor e seu trabalho ligado ao desenvolvimento de Minas Gerais. Roscoe declarou ainda que sua candidatura está alinhada aos princípios da direita.
Uma das propostas apresentadas é a de “destravar o Estado”. Para isso, ele pretende revisar a burocracia estadual nos primeiros 90 dias de governo e editar mais de 300 decretos e portarias para simplificar procedimentos.
Roscoe afirmou que a revisão não exigiria novos recursos públicos. Na avaliação dele, a atração de investimentos e o fortalecimento da economia poderiam ampliar a arrecadação sem aumento de impostos, gerando mais recursos para infraestrutura, segurança e valorização dos servidores.
Educação
Na educação, o candidato propôs levar à rede estadual práticas de gestão utilizadas no SESI e no SENAI. Ele citou que, entre 2017 e 2025, as matrículas do SESI passaram de 25 mil para 42 mil. O SENAI, segundo Roscoe, alcançou 250 mil matrículas em 2025.
Entre as medidas defendidas estão a formação de diretores, a formação continuada dos professores e o acompanhamento de frequência, desempenho e evasão escolar. A intenção é identificar problemas nas escolas e agir antes que os estudantes fiquem para trás.
Roscoe também propôs ampliar o ensino técnico de acordo com as vocações de cada região e o ensino em tempo integral nos locais com maior abandono escolar.
Segurança pública e sistema prisional
Para a segurança pública, o candidato defendeu uma política de tolerância zero contra a criminalidade. As propostas incluem a recomposição dos efetivos das forças de segurança, começando pela Polícia Civil, além de investimentos em estrutura, treinamento e valorização dos profissionais.
Ele também propôs assistência jurídica fornecida pelo Estado aos policiais no exercício de suas funções. “Isso começa com policiais nas ruas, estrutura, treinamento e respaldo para agir dentro da lei”, afirmou.
Outra medida seria a criação de centros regionais de inteligência, com integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e sistema prisional. A proposta busca facilitar a circulação de informações para antecipar crimes, localizar responsáveis e desarticular organizações criminosas, inclusive com ações sobre o patrimônio.
O chamado “Cinturão de Minas” prevê patrulhamento permanente nos corredores de entrada do estado, leitura automática de placas, videomonitoramento e troca de informações com estados vizinhos e forças federais. A proposta considera que Minas Gerais faz divisa com seis estados e o Distrito Federal.
Na área prisional, Roscoe defendeu a construção e a requalificação de vagas, medidas contra a superlotação e a ampliação das oportunidades de trabalho e estudo durante a execução penal. O objetivo apresentado é reduzir a reincidência.
Para a proteção às mulheres, o candidato propôs o monitoramento eletrônico de agressores submetidos a medidas protetivas e a integração entre delegacias, Justiça e sistema prisional. A medida, segundo ele, permitiria identificar situações de escalada da violência contra a mulher.




