A estudante Ada Jamile Gomes de Oliveira começou uma nova etapa acadêmica em Nova York depois de ser reconhecida na Feira Internacional de Ciências e Engenharia (Isef). Ela foi a primeira amazonense premiada na competição e agora cursa biologia computacional na Universidade Columbia, nos Estados Unidos.
O reconhecimento ampliou, para Ada, a possibilidade de dar visibilidade à produção científica da região Norte. A estudante afirma que sua origem também influencia a maneira como analisa problemas e pensa em soluções tecnológicas. Entre os aspectos considerados por ela está a logística de Manaus e da Amazônia.
Da programação à pesquisa
No ensino médio do Colégio Militar de Manaus, o professor Roberto Barbosa apresentou a Ada a linguagem de programação Python. A aproximação entre computação e biologia levou à criação de um algoritmo de busca entre proteínas e compostos, desenvolvido aos 15 anos e registrado no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi).
O projeto surgiu depois que Francisca, tia da estudante, recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Com amigas, Ada desenvolveu o Minerva, que incluía uma ferramenta voltada à pesquisa de compostos para proteínas. O trabalho também chamou a atenção de uma equipe ligada à Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), da qual Roberto fazia parte, e o algoritmo serviu de referência para outra ferramenta dos pesquisadores.
A estudante também desenvolveu uma pesquisa relacionada ao Alzheimer. O estudo analisou ondas binaurais como alternativa terapêutica não invasiva a partir de 12 Hz, frequência observada durante o sono profundo. Segundo Ada, os genes reagiram especificamente ao ruído, com redução da expressão gênica, embora o mesmo efeito inicialmente buscado não tenha sido comprovado.
Preparação para a universidade
A curiosidade científica de Ada começou cedo, com incentivo da mãe, Khetlem. Aos 14, ela participou da primeira feira de ciências. Mais tarde, conheceu a Fundação Estudar por meio do Prep Program, apresentado por uma estudante de sua escola quando Ada estava no oitavo ano.
A Fundação Estudar recebe inscrições para a turma de 2027 até quinta-feira (1º). O programa é gratuito para estudantes brasileiros do penúltimo e último ano do ensino médio que pretendem cursar graduação nas melhores universidades do mundo. A iniciativa exige domínio do inglês, alto desempenho acadêmico e atividades extracurriculares, além de oferecer bolsas para candidatura quando há necessidade financeira.
Na nova fase, Ada também diz querer reservar mais espaço para a vida fora da pesquisa. Ela afirma que passou a reconhecer sua trajetória para além do ambiente acadêmico e pretende aproveitar a liberdade da universidade para explorar perguntas interdisciplinares e não óbvias.



