SÃO PAULO — Joanna de Assis recebeu quatro propostas nos 34 dias desde que deixou a TV Globo. Aos 45 anos, a jornalista afirmou que ainda avalia os próximos passos profissionais depois de ser demitida em 12 de agosto.
Ela contou que foi chamada pela chefia ao chegar para trabalhar normalmente. Segundo Joanna, a decisão a pegou de surpresa, porque acreditava que seu trabalho como apresentadora e repórter era bem avaliado. Em casa, chorou diante da filha, Agata, que perguntou se não voltaria a vê-la na televisão. Joanna respondeu que seguiria trabalhando.
A jornalista disse que não pretende ser definida por um único emprego. Após a saída, procurou a Swift para propor uma publicação nas redes sociais sobre o desligamento e um churrasco. A empresa aceitou a ideia, e ela afirmou ter recebido cachê e carne pela ação.
Investigações no esporte
Joanna ganhou o prêmio Latino Americano de Jornalismo Investigativo, na Colômbia. Em uma apuração sobre o técnico de ginástica olímpica Fernando de Carvalho Lopes, reuniu provas e depoimentos de atletas. O caso envolveu abusos sexuais contra pelo menos 42 ginastas, meninos entre sete e 16 anos.
Fernando de Carvalho Lopes foi banido do esporte e condenado a 109 anos de prisão. Joanna afirmou que ele recorre há anos, não está preso e vive em Portugal. Ela disse que acompanha semanalmente a situação judicial.
Para a jornalista, o trabalho investigativo exige tempo e disposição para enfrentar temas evitados. “Há várias portas trancadas no esporte. Aquelas que ninguém quer mexer”, declarou.
Projetos e trajetória
Outro tema abordado por Joanna foi a homofobia no esporte. Ela criou o podcast Nos Armários dos Vestiários, sobre a sexualidade de jogadores e técnicos. O projeto foi produzido apenas em áudio, sem câmeras, porque, segundo ela, muitas pessoas evitam falar abertamente sobre o assunto. Richarlison, Emerson Ferretti e Igor Benevenuto são citados entre os nomes que assumiram suas preferências.
Joanna também escreveu Para-heróis, sobre dez campeões paraolímpicos brasileiros, e Verônica, a Magrela que Era Forte, voltado para crianças e dedicado à atleta Verônica Hipólito.
Formada em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, ela passou pela Gazeta Esportiva, pelo portal Terra e pela revista Placar. Chegou à TV Globo em 2006, trabalhou como correspondente nos Estados Unidos e depois se tornou apresentadora do Sportv, sem deixar as apurações jornalísticas.
“Fiz da Globo a minha casa. Mas vou fazer de outras casas as minhas”, afirmou Joanna ao falar sobre o futuro profissional.



