BRASÍLIA — O Santos Futebol Clube firmou um acordo de concessão onerosa com o Governo Federal para continuar utilizando o terreno onde está o Centro de Treinamento Rei Pelé. A negociação encerra o risco de leilão da área e estabelece regras para a permanência do clube no local.
O terreno tem avaliação de aproximadamente R$ 79 milhões. Durante as tratativas, uma incorporadora demonstrou interesse em comprar a área para um empreendimento imobiliário e chegou a considerar uma proposta de cerca de R$ 200 milhões. Para o Santos, um eventual leilão seria um problema porque o pagamento precisaria ser feito à vista, o que dificultaria a disputa pelo imóvel.
A atual gestão recebeu essa possibilidade quando assumiu o clube, há cerca de três anos. Desde então, o Santos buscou regularizar a situação e encontrar uma alternativa que garantisse a continuidade do uso do centro de treinamento.
Valores previstos no acordo
A concessão mantém o imóvel no patrimônio da União e prevê a recuperação de cerca de R$ 23 milhões referentes ao período anterior de ocupação. Além desse passivo, o clube terá de pagar uma receita mensal contínua pelo uso da área.
O valor acertado é de cerca de R$ 145 mil por mês. Estudos e levantamentos realizados durante a negociação indicaram que a locação de um terreno semelhante na região custaria aproximadamente R$ 400 mil mensais. Essa estimativa considera principalmente a área e não inclui necessariamente toda a estrutura existente no CT, que conta com hotel e outros equipamentos usados pelo futebol profissional.
Como comparação apresentada nas discussões, o Corinthians chegou a pagar cerca de R$ 250 mil mensais pela hospedagem de Memphis Depay. O valor é superior ao que o Santos passará a desembolsar pelo uso de toda a área do CT Rei Pelé.
Manutenção da finalidade esportiva
A preservação da finalidade esportiva do terreno foi um dos argumentos usados pelo Santos nas tratativas. O clube defendeu que sua permanência mantém a destinação histórica do espaço para a formação e o desenvolvimento de atletas.
A assinatura do acordo contou com a presença de Pepe, Coutinho e Serginho Chulapa, representantes de diferentes gerações da história santista. Para o clube, a solução concilia a gestão econômica de um patrimônio da União com a continuidade das atividades esportivas no local.
Com a concessão, o Santos terá de organizar o pagamento do passivo anterior e da cobrança mensal prevista no contrato. A avaliação interna é que o acordo garante estabilidade para a permanência no CT Rei Pelé em uma área que despertava interesse do mercado imobiliário.



