RIO DE JANEIRO — Torcedores do Vasco protestaram durante o último fim de semana contra a administração do Maracanã e as dificuldades enfrentadas pelo clube para realizar partidas no estádio. Faixas foram instaladas em São Januário, no Aterro do Flamengo, no próprio Maracanã, em Laranjeiras e no Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ).
As mensagens cobraram o consórcio formado por Flamengo e Fluminense, responsável pela administração do complexo. Uma delas dizia: “Respeitem o edital ou revoguem a licitação!”. Outra pedia o cumprimento das regras e afirmava que São Januário pertence ao Vasco e o Maracanã é de todos.
Os protestos também fizeram referência ao jogo da NFL marcado para domingo (27) e aos eventos musicais realizados no estádio. Uma das faixas mostrava uma bola de futebol americano e uma guitarra ao lado da palavra “permitido”, enquanto o escudo do Vasco aparecia acompanhado de “proibido”. A comparação foi feita diante das negativas recebidas pelo clube para levar partidas ao Maracanã.
Regras da concessão
Os torcedores citam o Termo de Referência da concessão. O item 3.2.6 determina que a concessionária administre o complexo sem discriminação em relação aos principais clubes do Rio de Janeiro e às torcidas. Já o item 3.4 estabelece prioridade para partidas de competições oficiais organizadas por Fifa, Conmebol, CBF e Ferj em relação a outros eventos.
Também é citado um entendimento para que o Vasco pudesse realizar até quatro partidas no Maracanã em 2026. A gestão do estádio afirmou na Justiça que o documento não foi assinado pelo consórcio.
O conflito aumentou em agosto, quando o Vasco pediu para jogar no Maracanã contra o Vitória, pela ida das quartas de final da Copa do Brasil. A solicitação foi negada. A administração alegou que o pedido havia sido apresentado seis dias antes da partida e que o período entre os dias 23 e 29 de agosto estava reservado para a recuperação do gramado.
Partida contra o Boca Juniors
As condições do campo são o principal argumento do consórcio para restringir a inclusão de novas partidas. O gramado também recebeu críticas de jogadores de Flamengo e Fluminense, clubes que usam regularmente o estádio.
Em entrevista coletiva no dia 11 de setembro, o CEO do Maracanã, Fred Nantes, disse que não havia espaço técnico para incluir novos jogos naquele momento. “Não dá para incluir nenhum jogo a mais na programação”, afirmou.
Após a classificação do Vasco para a semifinal da Copa Sul-Americana, São Januário deixou de ser opção para o confronto com o Boca Juniors porque a Conmebol exige capacidade mínima de 30 mil torcedores nessa fase. O clube formalizou um pedido para jogar no Maracanã no dia 20 de outubro, mas o local ainda não foi definido.
O estádio tem Flamengo x Estudiantes previsto para 22 de outubro, pela semifinal da Libertadores. A proximidade entre as partidas ampliou a discussão sobre o tempo necessário para recuperar o gramado. Se não puder usar o Maracanã, o Vasco terá o Nilton Santos como única alternativa no estado do Rio de Janeiro para o jogo continental.



