A Unidos de Vila Isabel decidiu desfazer a junção de dois sambas-enredo e oficializou a obra de número 13, assinada por Martinho da Vila, Evandro Bocão e André Diniz, para o Carnaval 2027. A escola fará o desfile na Marquês de Sapucaí.
A mudança foi anunciada nesta segunda-feira (14), dois dias depois da final de samba-enredo. Na ocasião, a direção havia informado que o samba oficial seria formado pela combinação das obras de números 5 e 13.
Decisão após repercussão
A escolha pela fusão provocou desconforto em Martinho da Vila, presidente de honra da agremiação. O cantor e compositor afirmou que não havia sido consultado e pediu que seu nome fosse retirado da composição resultante da mistura. “Não concordo e já pedi para retirar meu nome”, declarou.
Depois de reuniões entre a direção, os carnavalescos e a equipe de Carnaval, a Vila Isabel decidiu manter integralmente o samba de Martinho e seus parceiros. De acordo com a escola, a decisão considerou os aspectos artísticos e a trajetória do compositor na agremiação.
Aos 88 anos, Martinho da Vila soma 6 décadas de ligação com a escola. O presidente da Vila Isabel, Luiz Guimarães, afirmou que a relação do compositor com a agremiação foi considerada na escolha. “São 60 anos de história e ele é o nosso presidente de honra”, disse.
A escola informou que já começou, com os compositores, os ajustes finais de letra e melodia que antecedem a gravação oficial do samba.
Enredo para 2027
O enredo da Vila Isabel será “Torto Arado: Sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, inspirado no romance de Itamar Vieira Junior.
O projeto é desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinicius Natal. A proposta levará para a Sapucaí a história das irmãs Bibiana e Belonísia, personagens centrais da obra ambientada na Chapada Diamantina, na Bahia.
Segundo a escola, o samba escolhido tem força poética para apresentar na Avenida temas do livro, como ancestralidade, resistência e a relação do homem com a terra.



