RIO DE JANEIRO — Dois debates com candidatos ao Senado pelo Rio de Janeiro foram realizados nesta terça-feira (22), com mediação de Edimilson Ávila. O primeiro começou às 9h, com Carlos Jordy, Marcelo Crivella, Marcos Dias e Pedro Paulo. O segundo teve início às 13h e reuniu Benedita da Silva, Carlos Portinho, Monica Benicio e Waguinho.
A participação seguiu critérios de representação partidária no Congresso Nacional ou desempenho mínimo de 5% na pesquisa estimulada mais recente de Quaest ou Datafolha divulgada antes dos encontros. A ordem dos candidatos no cenário foi definida por sorteio.
Trabalho, orçamento e apostas
Foi considerada verdadeira a afirmação de Benedita da Silva de que as mulheres trabalham 10 horas a mais que os homens nas tarefas domésticas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2022, indicam médias de 21,3 horas semanais para mulheres e 11,7 horas para homens, uma diferença de 9,6 horas.
A declaração da candidata de que apenas o Congresso Nacional faz cortes no orçamento foi classificada como não é bem assim. Marcus Pestana, do Instituto Fiscal Independente, explicou que Executivo e Congresso podem alterar despesas em diferentes etapas do ciclo orçamentário.
Também foi considerada não é bem assim a afirmação de Carlos Jordy sobre a criação das apostas esportivas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A modalidade foi legalizada em 12 de dezembro de 2018, durante a gestão de Michel Temer, pela Lei n° 13.756/2018. A regulamentação foi sancionada por Lula em 30 de dezembro, com a Lei nº 14.790/2023.
Segurança, contas públicas e impostos
A afirmação de Carlos Portinho sobre o envio de R$ 6 milhões para o Hospital do Olho, em Barra do Piraí, foi considerada fato. A Secretaria de Comunicação do município confirmou a emenda, e a Controladoria-Geral da União identificou o pagamento pelo Ministério da Saúde ao Fundo Municipal de Saúde em 8 de maio de 2026.
Já a declaração de que a ADPF 635 proibiu a entrada da polícia em determinados territórios foi classificada como fake. A decisão estabeleceu restrições e medidas de controle para operações em comunidades, mas não impediu ações policiais. Entre 1º de julho de 2020 e 30 de junho de 2024, o Ministério Público foi notificado de 4.071 operações, enquanto a sociedade civil registrou 5.361. Em abril de 2025, o Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento e afirmou que não havia impedimento às operações.
A declaração de Marcelo Crivella sobre a necessidade de mudar a fórmula do Fundo de Participação dos Estados foi considerada fato. Em 17 de junho de 2026, o STF prorrogou as regras atuais até 30 de junho de 2027. A fala sobre déficit crescente no Rio, porém, foi classificada como não é bem assim: o estado teve déficit de R$ 2,4 bilhões em 2024, mas registrou superávit de R$ 1,3 bilhão em 2025.
Marcos Dias apresentou uma declaração considerada fato sobre renúncias fiscais. A Unafisco Nacional estimou R$ 618,4 bilhões em privilégios tributários no país em 2026. No Rio de Janeiro, a estimativa de renúncia fiscal para o mesmo ano foi de R$ 24,14 bilhões.
Emendas, população e alíquotas
A declaração de Monica Benicio sobre uma emenda de quase R$ 200 mil destinada por Flávio Bolsonaro a um projeto esportivo foi considerada fato. O recurso, de R$ 199.999,78, foi pago em 29 de novembro de 2023 ao Instituto Formação Profissional José Carlos Procópio. Um relatório do Tribunal de Contas da União apontou indícios de desvio e questionou a contratação usada para coordenar o projeto.
Também foi considerada fato a afirmação de Pedro Paulo de que quatro milhões de pessoas da Região Metropolitana do Rio vivem sob controle ou influência de organizações criminosas. O número corresponde a 32,9% da população de 22 municípios, conforme levantamento de 4 de dezembro de 2025.
A comparação feita pelo candidato entre impostos também foi classificada como fato. A alíquota padrão do ICMS no Rio de Janeiro é de 22%, e a do IPVA para a categoria citada é de 4%. No Espírito Santo, o IPVA correspondente é de 2%.


