O filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, foi alvo de denúncias trabalhistas antes da divulgação de um investimento de R$ 61 milhões atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As reclamações foram registradas por figurantes e técnicos que participaram das gravações em São Paulo.
As ocorrências constam em um relatório de dezembro do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP). O documento reúne 15 registros feitos pelo canal Reclame SATED e afirma que os relatos envolvem figurantes brasileiros, artistas com e sem registro profissional (DRT) e profissionais técnicos.
Reclamações durante as gravações
Segundo os relatos reunidos pelo sindicato, figurantes recebiam um kit com pão com frios, maçã, paçoca e suco, enquanto a equipe principal tinha acesso a café da manhã e almoço em sistema self-service. Os trabalhadores afirmaram que a alimentação não era suficiente para jornadas superiores a 8 horas.
O relatório também registra o fornecimento de comida estragada em 30 de outubro de 2025, além de atrasos nos pagamentos, cachês abaixo do padrão de mercado e contratação informal por grupos de WhatsApp. Houve ainda relatos de pagamentos em dinheiro sem emissão de nota fiscal.
Alguns figurantes disseram que precisavam pagar R$ 10 pelo transporte até as locações, com cobrança em dinheiro ou desconto no cachê ao fim da diária. Também foram mencionados episódios recorrentes de assédio moral, condições precárias e a agressão física de um figurante, que afirmou ter registrado boletim de ocorrência e informado que faria exame de corpo de delito.
As denúncias incluem ainda revistas pessoais consideradas invasivas, com relatos de toques em partes íntimas e nos seios na entrada das locações.
O documento menciona a contratação de equipe técnica estrangeira sem o recolhimento de taxas previstas na Lei nº 6.533/78. De acordo com o relatório, SATED/SP e SINDICINE não registraram pagamentos por esses profissionais nem receberam contratos para a obtenção do visto obrigatório das entidades sindicais.
O SATED/SP afirmou que não faz acusações diretas contra a produção e que os relatos deverão ser analisados pelas autoridades competentes, com garantia de contraditório e ampla defesa.
Financiamento e respostas
Mensagens e áudios divulgados na quarta-feira (13) indicaram que Flávio Bolsonaro tratou com Vorcaro sobre recursos para o filme. Os repasses teriam somado R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025, por meio de um fundo nos Estados Unidos ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.
Em um áudio enviado em setembro de 2025, Flávio disse que o filme atravessava um “momento muito decisivo” e demonstrou preocupação com atrasos nos pagamentos. O senador afirmou depois que o financiamento ocorreu com dinheiro privado e negou irregularidades. Também disse não ter “relações espúrias” com Vorcaro.
A GOUP Entertainment negou que Vorcaro, o Banco Master ou empresas sob controle dele tenham investido no longa. A produtora afirmou que não havia nenhum centavo dessas partes entre os financiadores e rejeitou associações com fatos sem comprovação documental, financeira ou contratual.
Segundo a Ancine, o filme tem orçamento de R$ 28 milhões, dividido entre Brasil, França, Alemanha e Holanda. A produção ainda busca distribuição internacional e é dirigida por Cyrus Nowrasteh, com roteiro escrito em parceria com Mark Nowrasteh, a partir de argumento de Mario Frias.



