SÃO GONÇALO — Lula afirmou, durante um ato de campanha na cidade, que não deve haver representação de miliciano no Palácio do Planalto. A declaração ocorreu ao lado de Eduardo Paes, candidato ao governo do estado, e foi relacionada pelo presidente ao que estará em disputa no dia 4 de outubro.
Na fala, Lula também disse que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, em referência a medidas do governo dos Estados Unidos, chefiado por Donald Trump. Entre as ações citadas estão sanções econômicas e a inclusão de facções criminosas brasileiras em uma lista de organizações terroristas internacionais.
A declaração ocorreu após a divulgação de que Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, destinou uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil a um projeto esportivo. O pedido teria sido feito por Robson Calixto, conhecido como Peixe, condenado por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco.
A negociação da emenda ocorreu em 2023 entre Peixe e Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar no gabinete de Flávio no Senado. Marielle e o motorista Anderson Gomes foram mortos em 2018. A Polícia Federal identificou indícios de desvio dos recursos e encontrou, no celular do miliciano, mensagens trocadas sobre o assunto.
Peixe foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, em fevereiro deste ano, a 9 anos de prisão e à perda do cargo de policial militar reformado. Ele foi apontado como elo entre os executores do assassinato e os mandantes, Domingos e Chiquinho Brazão.
Críticas à direita e às apostas
Sem citar nomes, Lula pediu votos para candidatos aliados ao Congresso e afirmou que não se deve permitir que a direita forme maioria no Senado. O presidente também defendeu que os eleitores escolham pessoas que permitam a continuidade de seu governo em um quarto mandato.
Lula voltou a criticar as apostas esportivas e disse que pretende “acabar” com o atual modelo das bets. Ele associou as plataformas ao endividamento de brasileiros e afirmou que o governo avalia medidas para restringir o setor.
O presidente mencionou uma carta assinada por clubes de futebol contra possíveis novas restrições. Segundo ele, as equipes argumentam que mudanças nas regras ou o fim das apostas poderiam reduzir receitas de patrocínio. Lula contestou a dependência dos clubes em relação às empresas do segmento e disse que os custos do futebol não devem ser repassados aos torcedores.
Na quarta-feira (23), em Brasília, Lula se reuniu com ministros para discutir possíveis medidas sobre as bets. Entre as alternativas avaliadas estão novas restrições às apostas on-line e alterações nas regras do setor. Na mesma noite, em um encontro com artistas no Rio de Janeiro, ele voltou a prometer o fim das bets e afirmou que os clubes terão de buscar outras formas de financiamento.



