Conversas retiradas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro associam o advogado Kevin de Carvalho Marques a um valor de R$ 500 mil. No arquivo encaminhado a Vorcaro, o nome do advogado aparece acompanhado de um número de telefone atribuído ao filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques.
Em 4 de julho de 2025, às 10h41, o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, enviou ao banqueiro uma planilha com o nome de Kevin Marques e a indicação de “500 mil mês”. Na mesma sequência, Rennó perguntou se o pagamento continuava e depois escreveu que o advogado já teria deixado de receber. Vorcaro respondeu com risadas.
Em 8 de agosto de 2025, Rennó encaminhou novamente a planilha. Nas mensagens, afirmou que aquele era o único pagamento dele que faltava e que havia sido realizado. O conteúdo foi extraído pela Polícia Federal do celular apreendido de Vorcaro.
Kassio Nunes Marques declarou que o filho nunca trabalhou para o Banco Master e que, por isso, não recebeu qualquer valor da instituição. O ministro também afirmou não ter tido acesso ao conjunto de mensagens. O nome dele aparece na agenda de contatos de Vorcaro, mas Nunes Marques sustenta que não mantinha relação com o banqueiro.
Kevin Marques, que tinha 25 anos e dois anos de atuação como advogado, negou ter prestado serviços ao Banco Master ou recebido dinheiro de Vorcaro. Ele afirmou que recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária por serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. A Consult recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master e tinha entre seus clientes a Refit e o Grupo Petrópolis.
As mensagens também mencionam a destilaria Alcídia, em Teodoro Sampaio (SP). Em uma conversa, Rennó informou a Vorcaro que o banco havia ganhado a causa no Supremo Tribunal Federal. O julgamento, concluído em 1º de outubro de 2024, teve votos de Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.
O Banco Master mantinha em seu balanço uma carteira estimada em R$ 10 bilhões de precatórios do setor. O valor dependia do reconhecimento das indenizações. Antes do julgamento, o processo havia sido interrompido por um pedido de vista de Nunes Marques.
Outro conjunto de mensagens trata de uma viagem de jatinho envolvendo a advogada Camilla Ewerton Ramos. Vorcaro concordou com pedidos para usar um aeroporto mais discreto e oferecer Dom Pérignon e Macallan durante o voo. A viagem ocorreu em 14 de novembro de 2025, de Brasília para Maceió. O gabinete de Nunes Marques confirmou que o ministro e a esposa estavam na aeronave e disse que Camilla ficou responsável pelo voo e pelos detalhes da viagem. A aeronave era operada pela Prime Aviation, controlada pela Prime You, empresa que teve Vorcaro como sócio até setembro de 2025.


