A Polícia Federal identificou mensagens e depoimentos que apontam uma tentativa de contratar influenciadores de direita para defender o Banco Master nas redes sociais. A agência UNLTD Network Brazil Ltda. teria buscado perfis de grande alcance para questionar a liquidação do banco pelo Banco Central e defender uma intervenção do Tribunal de Contas da União no caso.
A iniciativa foi apresentada como “Projeto DV” em um acordo de confidencialidade enviado ao assessor de Rony de Assis Gabriel, vereador de Erechim (RS), candidato a deputado federal pelo Podemos e influenciador de direita. O contato foi feito por André Silva Salvador, que assinou o documento em nome da agência.
Em 20 de dezembro de 2025, Salvador escreveu que monitorava as redes de Flávio Bolsonaro e havia encontrado o perfil de Rony em publicações. Depois, afirmou que a proposta envolvia gerenciamento de reputação e gestão de crise para um grande executivo. Segundo conversa registrada em ata notarial, ele disse: “Temos contratado os perfis que se posicionam para nos ajudar nessa disputa política que estamos travando contra o sistema”.
Proposta recusada
Rony afirmou à PF que Salvador revelou, durante uma reunião, que o cliente seria Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. O assessor do vereador assinou o acordo de confidencialidade, mas Rony disse ter recusado a proposta antes de negociar o pagamento ou assinar um contrato de prestação de serviços.
O vereador declarou ter mais de dois milhões de seguidores no Instagram e aproximadamente 100 milhões de visualizações mensais em conteúdos políticos. Segundo ele, o contato pode ter ocorrido porque costumava comentar nas redes de Flávio.
A agência apresentou como referência publicações de Paulo Cardoso, do Cardoso Mundo; Marcelo Rennó; André Janeiro Dias; Carol Dias; e da página Alfinetei. Rony afirmou que havia um roteiro, mas que cada influenciador poderia adaptar a forma de apresentação. A proposta mencionava uma possível remuneração milionária, sem que o valor fosse negociado. O acordo teria previsto multa de R$ 800 mil.
Outra proposta e mapeamento da PF
A jornalista e influenciadora Juliana Moreira Leite também relatou ter recebido, por Instagram e WhatsApp, uma proposta de contrato de três meses feita por Júnior Favoreto. O interlocutor teria dito que ela poderia definir o próprio preço, exigido um acordo de confidencialidade e enviado conteúdo questionando a liquidação do Banco Master.
Juliana informou à PF que não estava disponível para publicar sobre o banco. Favoreto encerrou a conversa sem confirmar quem seria o cliente. Por isso, ela disse não ser possível afirmar de onde partiu a proposta. A jornalista também relatou ter percebido publicações semelhantes feitas por outros influenciadores de direita.
Em um relatório, a PF identificou 22 perfis do Instagram que questionaram, em períodos próximos, a atuação do Banco Central no caso. O levantamento reuniu páginas como Carol Dias, Marcelo Rennó, Paulo Cardoso, Luiz Bacci, Rainha Matos, Garoto do Blog, Bomba dos Artistas, Queirônica, Focalizando Notícias e Diferentona, além de outros perfis de fofocas, entretenimento e notícias.
A PF associou oito dessas páginas à Deubuzz e quatro ao Grupo Farol. Diferentona aparece relacionada aos dois grupos. O mapeamento indica proximidade entre as publicações, mas não comprova que todos os perfis tenham sido procurados, contratados ou pagos por uma agência.



