A Polícia Federal aponta que a lobista Roberta Luchsinger ordenou ao motorista Ulisses Barbosa pagamentos em dinheiro a integrantes da cúpula do Ministério do Desenvolvimento Social. As mensagens analisadas pela investigação também indicam que ela mantinha valores em espécie guardados em malas na própria residência.
Roberta é investigada com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em três inquéritos sob suspeita de corrupção e tráfico de influência. Os casos estão sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal e surgiram a partir de elementos obtidos em buscas e quebras de sigilo da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de desvios em aposentadorias e pensões do INSS.
Pagamentos a integrantes do ministério
Nas conversas com Ulisses, seu auxiliar pessoal e motorista, Roberta teria determinado o uso de R$ 60 mil em espécie para pagamentos a três contas. Os destinatários seriam Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do ministério comandado por Wellington Dias; José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial da pasta; e uma parente de Martinho.
Seis meses após os pagamentos, o Ministério do Desenvolvimento Social fechou um contrato de cerca de R$ 30 milhões com um empresário do setor de tecnologia representado por Roberta.
Martinho já havia sido detido em 2014, no interior da Bahia, com R$ 180 mil em notas de cem. Na ocasião, afirmou à polícia ser o dono do dinheiro e negou ligação da quantia com o senador.
O Ministério do Desenvolvimento Social não se manifestou. A defesa de Ulisses não foi localizada.
Valores em malas e transferências
A investigação também aponta que Roberta ordenou outros pagamentos com dinheiro guardado em uma mala. Em março de 2023, Ulisses informou que havia R$ 500 mil armazenados em malas. Depois, a lobista pediu que ele entregasse R$ 193 mil a Fernando Bittar, empresário que foi um dos donos do sítio de Atibaia (SP), investigado na Operação Lava Jato.
A PF suspeita que Roberta, Lulinha e Bittar mantiveram uma sociedade oculta em negócios. O advogado de Bittar, Roberto Bertholdo, afirmou que o empresário desconhece a mensagem e os valores mencionados.
Entre 2022 e 2025, a empresa de Roberta transferiu quase R$ 2,3 milhões para a conta de Ulisses. A investigação também registra pagamentos anteriores, incluindo R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de veículo e outras despesas para Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
A defesa de Roberta disse que não comentaria informações sem comprovação que teriam sido vazadas de um inquérito sigiloso. O advogado de Lulinha afirmou que não é possível confirmar a autenticidade das conversas e que seu cliente não tem relação com os pagamentos. A defesa de Marcola negou que ele tenha intermediado negociações ou encaminhado documentos sobre compras e licitações em órgãos do governo federal.
Roberta é apontada como amiga de Lulinha e teria atuado em interesses do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.



