A campanha de Flávio Bolsonaro foi associada à Rockbridge Network, rede de financiadores da direita dos Estados Unidos fundada em 2019 por J. D. Vance, atual vice-presidente do país, e pelo empresário Chris Buskirk. A acusação foi feita por Renan Santos, candidato do Missão, que afirmou que dois empresários brasileiros, Tallis Gomes e Pedro Sang, atuariam como representantes da organização no Brasil.
Renan disse que os empresários teriam oferecido apoio a candidaturas e que a campanha de Flávio teria recebido recursos ou serviços de forma ilegal. Pedro Sang reconheceu ligação com a Rockbridge, mas negou intermediar fundos.
O Amado Mundo informou que Sang trabalha no comitê de campanha de Flávio em São Paulo, em um imóvel próximo ao parque Ibirapuera. Segundo a publicação, ele teria providenciado imóveis e infraestrutura para o local. Flávio transferiu o comitê de Brasília para São Paulo no começo de julho, com o objetivo declarado de facilitar viagens para Minas, Rio e Paraná e aproximar a campanha da Faria Lima.
Possíveis irregularidades
O advogado Fernando Neisser afirmou que a entrada de recursos internacionais em campanhas brasileiras é proibida, seja por pessoas físicas estrangeiras ou por empresas. Para ele, pagamentos em dinheiro, imóveis, materiais, insumos ou serviços também poderiam caracterizar irregularidade. Caso colaboradores ou serviços fossem pagos fora da campanha, poderia haver Caixa 2.
Neisser disse que a comprovação dos fatos poderia levar a uma ação de investigação judicial eleitoral no TSE. Entre as possíveis consequências citadas estão a cassação do registro, do diploma ou do mandato, a convocação de novas eleições e a inelegibilidade por oito anos dos responsáveis.
A organização também foi relacionada a um memorando elaborado por André Marinho, candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro. O documento apresenta diretrizes para uma possível parceria entre um governo de Flávio e os Estados Unidos na exploração de minerais críticos e terras raras.
Marinho confirmou a autoria, mas negou que o material tenha sido apresentado a estrangeiros. O Amado Mundo informou que ele esteve nos Estados Unidos com J. D. Vance três semanas depois de elaborar o documento. Flávio não respondeu aos questionamentos.
Até o momento, não há provas de transferência de dinheiro ou bens estrangeiros diretamente para a campanha de Flávio Bolsonaro.



