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Empreiteira ligada a aliado de Flávio é investigada por reformas em escolas do Rio

Renato Araújo aparece ao lado de Flávio Bolsonaro e é sócio de empresa alvo da Operação Sarasvati, que apura contratos escolares.

Empreiteira ligada a aliado de Flávio é investigada por reformas em escolas do Rio

A empresa fundada pelo empresário Renato Araújo recebeu R$ 16 milhões para reformar 15 escolas públicas do Rio de Janeiro e está entre as empreiteiras investigadas por suspeitas de direcionamento de contratos e serviços incompatíveis com as necessidades das unidades. A Bravo Construções foi alvo da Operação Sarasvati, que cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em sete cidades do estado, incluindo Angra dos Reis.

Araújo, de 40 anos, mantém proximidade política com Flávio Bolsonaro e coordena o Partido Liberal na Costa Verde desde maio de 2025. Ele foi escolhido para a função por Jair Bolsonaro e por Valdemar da Costa Neto. No dia 29 de agosto, organizou em Angra uma motociata e uma carreata de barcos em apoio a Flávio e à própria candidatura a deputado federal.

A operação da Polícia Civil investiga um esquema na Secretaria Estadual de Educação. A apuração aponta que reformas de valores elevados eram encaminhadas a um grupo selecionado de empresas, muitas com pouco tempo de atividade, proprietários em comum e 13 delas atendidas pela mesma contadora. Diretores de escolas relataram que eram pressionados a contratar as empreiteiras indicadas e que, em vários casos, os serviços aprovados não correspondiam aos pedidos feitos pelas unidades.

Contratos e obras vistoriadas

Até o ano passado, Araújo assinava como diretor-geral da Bravo. Atualmente, a construtora está em nome de sua esposa, Tainá Nóbrega de Souza.

Um relatório elaborado pelo gabinete do deputado estadual Flávio Serafini, entregue em janeiro de 2026 a autoridades como o Tribunal de Contas do Estado, registrou problemas em visitas feitas a três colégios entre outubro de 2025 e janeiro de 2026.

No Colégio Estadual Antonio da Silva, em Nova Iguaçu, a direção havia solicitado uma reforma hidráulica para combater alagamentos. A secretaria, porém, definiu como prioridade a troca de telhas e do madeiramento. As telhas foram retiradas, lavadas e recolocadas, sem substituição, em um serviço que custou R$ 800 mil. Outras intervenções elevaram o total para R$ 2,2 milhões.

No Colégio Embaixador Raul Fernandes, em Niterói, a demanda era o conserto de uma parede no banheiro. A vistoria indicou novamente uma obra no telhado, com limpeza de calhas e troca de telhas e rufos. O custo chegou a R$ 1,6 milhão. A unidade tem nove salas de aula e 155 alunos. A Bravo terceirizou o serviço, prática que, segundo o relatório, não é permitida pela legislação estadual quando não há licitação.

No Colégio Albert Sabin, em Campo Grande, no Rio de Janeiro, havia uma determinação do Ministério Público Estadual para ampliar o refeitório. A obra realizada foi uma reforma na cozinha e nos banheiros, com a troca de quatro portas e pintura de duas paredes. O serviço durou um mês, entre setembro e outubro de 2025, e foi orçado em R$ 377,8 mil.

Para Serafini, presidente da comissão de servidores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, há indícios de fraude em licitações, superfaturamento e desvio da finalidade dos contratos. O deputado afirmou que as investigações também apuram a possibilidade de lavagem de dinheiro. A Polícia Federal mantém uma apuração paralela.

Recursos e decisões do governo

O mecanismo usado nos contratos era a transferência de recursos da secretaria para as Associações de Apoio à Escola, criadas para pequenos reparos e manutenção sem licitação. Dados do Sistema Integrado de Gestão Orçamentária, Financeira e Contábil mostram que os valores anuais ficaram entre R$ 58,6 milhões e R$ 102,8 milhões de 2018 a 2020. Em 2024 e 2025, chegaram a R$ 630,2 milhões e R$ 513,3 milhões.

O Tribunal de Contas do Estado determinou, em abril, a interrupção dos pagamentos às empresas investigadas. A Secretaria Estadual de Educação informou que o contrato para as obras foi encerrado e que, ao longo de 2026, não fez repasses às empreiteiras envolvidas. O governo também disse que passou a revisar os procedimentos, adotando a Lei de Licitações 14.133 como referência e encaminhando obras maiores à Empresa de Obras Públicas do Estado.

As investigações da Polícia Civil e da Polícia Federal continuam. Também há um processo em andamento no Ministério Público Estadual, aberto a partir das denúncias apresentadas pelo gabinete de Serafini.

Relação com a família Bolsonaro

A aproximação de Araújo com Flávio se tornou mais visível durante a mobilização política deste ano. No ato de 7 de Setembro, na Avenida Paulista, ele apareceu ao lado de deputados, candidatos e aliados do grupo, além de gravar vídeos para as redes sociais. Para o público presente, no entanto, era pouco conhecido.

O empresário também participou de eventos em apoio a Flávio em Angra dos Reis. Em 2024, Jair Bolsonaro o apoiou na disputa pela prefeitura da cidade, depois de ter manifestado apoio a Christiano Alvernaz. Araújo foi derrotado na tentativa de se tornar prefeito.

Ele ainda é sócio-administrador da Bellavista Portogalo Empreendimentos, projeto de condomínio com 31 mansões planejado em um terreno de 320 mil metros quadrados em Angra. A área inclui 8 mil metros quadrados em terreno de marinha. O empreendimento é citado em denúncias de degradação ambiental, embargo municipal, risco de deslizamento e mudança não autorizada no regime de ocupação. Um inquérito criminal foi arquivado em 2023, enquanto outro, de natureza cível e ambiental, seguia em aberto no Ministério Público.

Araújo declarou ao Tribunal Superior Eleitoral possuir R$ 3,5 milhões em bens. A lista inclui dois apartamentos, dois automóveis e dois jet-skis. Ele não respondeu ao pedido de entrevista, e Flávio Bolsonaro também não se manifestou.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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