RIO GRANDE DO SUL — O Google fechou seu maior acordo de remoção de carbono até hoje para apoiar um projeto da Terradot em áreas de cultivo de arroz no estado. A iniciativa busca reduzir as emissões de metano dos arrozais e retirar dióxido de carbono da atmosfera por meio do intemperismo acelerado de rochas.
O projeto abrange mais de 200 mil hectares e é o maior já realizado com essa técnica. O método acelera um processo natural em que determinadas rochas absorvem CO₂ da atmosfera. A expectativa do Google é que a iniciativa sirva de modelo para projetos futuros.
Randy Spock, diretor de remoção de carbono do Google, afirmou que o projeto é o primeiro nessa escala a combinar a redução de metano com a remoção de carbono. “Precisamos fazer as duas coisas”, disse ele, ao defender ações simultâneas contra os dois gases.
A previsão é que sejam geradas 1 milhão de toneladas métricas de créditos de redução de metano até 2030 e 1 milhão de toneladas de créditos de remoção de carbono até 2040. Os créditos serão produzidos e verificados separadamente. A parte de remoção de carbono é dez vezes maior que a de projetos anteriores de intemperismo acelerado de rochas.
Expansão e custos
Uma avaliação de 2021 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente estima que o cultivo de arroz em áreas irrigadas represente entre 10% e 12% das emissões globais de metano. A redução desse gás deve estar entre os temas centrais da COP31, marcada para ocorrer na Turquia ainda este ano.
As empresas afirmaram que o modelo poderá ser ampliado para os 1,5 milhão de hectares de arrozais do Brasil e levado a outras regiões produtoras, como Índia e Vietnã. A Terradot planeja iniciar projetos-piloto em vários países em 2026 e prevê expansão comercial para 2028.
Google e Terradot não informaram o preço dos créditos. Em 2024, um acordo para a compra de 90 mil toneladas de remoção de carbono da Terradot indicava um valor de cerca de US$300 por tonelada. Muitos desenvolvedores consideram necessário chegar a US$100 por tonelada para estimular uma demanda mais ampla.
James Kanoff, CEO da Terradot, disse que o novo projeto terá custo menor que os acordos anteriores. Segundo ele, embora ainda não tenha alcançado US$100 por tonelada, o resultado representa “um grande passo nessa direção”. A empresa também afirmou que postergar a verificação por terceiros pode reduzir despesas, já que esse processo pode acrescentar mais de US$100 por tonelada aos custos do intemperismo acelerado de rochas.



