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Kayapó fecham estrada e cobram retirada de invasores da Terra Indígena Baú

Bloqueio tenta interromper o abastecimento de um garimpo que reúne aproximadamente 400 pessoas e teria armas pesadas.

Kayapó fecham estrada e cobram retirada de invasores da Terra Indígena Baú

Uma equipe indígena de vigilância encontrou uma espingarda calibre 28 e um motor de barco escondidos perto do garimpo ilegal Pista Velha, na Terra Indígena Baú, nesta quinta-feira, 24 de setembro. O achado ocorreu enquanto Kayapó e moradores da vizinha Terra Indígena Menkragnoti tentam impedir o avanço da atividade dentro do território.

Desde segunda-feira, 21 de setembro, guerreiros Kayapó bloqueiam a via usada para chegar ao garimpo, próximo ao rio Curuazinho. A medida busca dificultar a entrada de combustível, equipamentos e outros itens necessários para manter a extração de ouro.

Armas e aumento de invasores

Organizações da Rede Xingu+, que monitoram as terras indígenas Baú e Menkragnoti, informam que a quantidade de garimpeiros no local quadruplicou nos últimos dois meses e chegou a aproximadamente 400 pessoas. Relatos recebidos pelos indígenas indicam a presença de armas de vários calibres, entre elas pelo menos quatro fuzis.

Por causa do armamento, os Kayapó suspeitam que facções criminosas ligadas ao narcotráfico estejam envolvidas na extração ilegal. O grupo afirma que permanecerá no bloqueio até que o poder público retire os invasores. A Polícia Federal disse que acompanha a situação.

O motor encontrado perto do Pista Velha é vendido por valores entre R$ 10 mil e R$ 12 mil em sites na internet. A equipe também apreendeu a espingarda calibre 28.

Operação não alcançou o Pista Velha

No final de julho, a Polícia Federal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) fizeram uma operação na Terra Indígena Baú. As equipes aplicaram autuações, registraram áreas degradadas e inutilizaram dois acampamentos, pás-carregadeiras, motores de balsas de garimpo, um gerador, um tanque e galões de combustível.

A ação ocorreu entre os dias 28 de julho e 1º de agosto e contou com três aeronaves, segundo a Polícia Federal. O órgão afirmou que a operação combateu “atividades ilegais de extração mineral na região e em áreas externas que, conforme informações reunidas pelos órgãos participantes, impactam cursos d’água e comunidades indígenas”.

O Pista Velha não foi alcançado pela operação. Organizações que acompanham a situação afirmam que os infratores apenas se dispersaram por um período. A Polícia Federal declarou: “Diante da situação, a Polícia Federal segue atuando no acompanhamento da região e na adoção de medidas cabíveis para o enfrentamento de atividades ilícitas”.

Expansão da mineração

O garimpo é um problema na Terra Indígena Baú desde 2019, quando o Pista Velha foi reativado. A atividade se intensificou desde o ano passado e já provocou conflitos entre garimpeiros e indígenas Kayapó, também chamados de Mebengôkre.

Em fevereiro, uma expedição de vigilância dos Kayapó interceptou dois grupos de garimpeiros. Um dos responsáveis afirmou que havia dezenas de mineradores ilegais no território, e os indígenas apreenderam duas armas de fogo. No começo do ano, a vigilância identificou ainda outro ponto de garimpo e comunicou às autoridades a existência de uma possível porta de entrada para a invasão.

A Terra Indígena Baú tem 1,5 milhão de hectares e abriga os povos Kayapó e os isolados Pu´rô. Até 2017, 150 hectares haviam sido desmatados pela mineração. Entre 2018 e 2022, as áreas de garimpo passaram de 308 hectares. Em 2025, o total acumulado chegou a 332 hectares, equivalente a cerca de 460 campos de futebol, conforme dados da plataforma Amazon Watch.

A Rede Xingu+ afirma que enviou alertas formais a órgãos governamentais ao longo de 2025. Uma análise da organização aponta que a área desmatada por garimpo no entorno oeste das terras indígenas Baú e Menkragnoti cresceu 11% entre 2024 e 2025. Quase 80% dessas áreas não tinham autorização da Agência Nacional de Mineração para exploração.

A extração ocorre em barrancos abertos na floresta, com derrubada de árvores, destruição da vegetação e revolvimento do solo. A mineração é proibida em terras indígenas. Nas fronteiras oeste das duas terras, outros garimpos também avançam. Em maio, a Justiça Federal no Pará determinou que o Ibama fiscalizasse e desmobilizasse o garimpo Esperança IV, às margens do rio Curuá.

A Terra Indígena Baú foi homologada cinco anos depois de 2003, quando o processo de demarcação foi retomado. Na ocasião, os Kayapó aceitaram abrir mão de uma faixa de 3 mil km² no lado oeste do território, sob a promessa de interrupção das invasões. No início dos anos 1990, invasores haviam impedido várias vezes a demarcação física da área.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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