A Vale assinou um acordo para comprar 30% da mineradora Ligga S.A., que opera a mina Ferro Sul, na região de Carajás, no sul do Pará. O negócio também garante à Vale a compra de toda a produção atual e futura da empresa por longo prazo. O valor da operação não foi divulgado.
A Ligga é controlada pelo grupo Santa Elina e tem instalações entre Curionópolis e Parauapebas. A mina fica a aproximadamente 10 quilômetros da Estrada de Ferro Carajás (EFC), administrada pela Vale para transportar minério até o terminal portuário Ponta da Madeira, em São Luís.
Atualmente, a Ligga produz 2 milhões de toneladas por ano de sinter-feed, tipo de minério conhecido como finos. A Vale informou que o acordo prevê elevar a capacidade para 8 milhões de toneladas em dois anos.
Expansão e logística
O projeto está em fase inicial de implantação e já tem licença de instalação da Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Estado do Pará. A expansão inclui uma nova planta de beneficiamento, obras de infraestrutura e uma solução ferroviária com previsão de operação em junho de 2028.
A estrutura ferroviária deverá ligar a mina à EFC por meio de um ramal de 9 km e eliminar o transporte do minério por caminhões até a ferrovia. Os investimentos previstos são da ordem de R$ 500 milhões, com recursos do aporte da Vale e da geração de caixa da própria Ligga. A maior parte será aplicada no ramal e na nova instalação de concentração e beneficiamento.
As reservas certificadas da Ligga são estimadas em 1,5 bilhão de toneladas de minério de ferro. A jazida também pode permitir, no futuro, a produção de itabirito e pellet-feed, minério de alto teor utilizado em processos de redução direta para a produção de aço.
A operação integra a produção da Ligga ao corredor logístico da Vale, formado pela EFC e pelo terminal de Ponta da Madeira. Para a Vale, o acordo amplia o acesso a volumes minerais em Carajás. Para a Ligga, oferece estrutura ferroviária e portuária e garantia de venda para a nova sócia.
Histórico da Ligga
A entrada do grupo Santa Elina no setor de minério de ferro ocorreu com a criação da Rio Minas Mineração, em 2011. Sediada em Cuiabá, a empresa reuniu os direitos minerais do grupo para exploração no Pará.
Dez anos depois, a Rio Minas passou a se chamar Ligga S.A. após a formação de uma joint venture entre a Santa Elina e o grupo Cosan. O projeto previa integrar as reservas de minério de ferro a um terminal portuário em São Luís, mas não avançou. Em 2026, os acionistas decidiram desfazer a joint venture.
A mina começou a operar em 2022, com produção que passou de 600 mil toneladas para 1 milhão e depois 2 milhões de toneladas. Com a expansão, a empresa poderá alcançar um novo patamar de produção em 2028/2029.
A Vale produziu 336 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, considerando os sistemas do Sul, em Minas Gerais, e do Norte, em Carajás. O complexo de Carajás respondeu por 177,5 milhões de toneladas.



