O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) procurou Daniel Vorcaro para tentar aproximá-lo de Thiago Rodrigues de Faria, advogado e ex-assessor parlamentar. O objetivo era tratar da liberação de um ativo minerário que, segundo a mensagem enviada pelo deputado, já havia passado por uma avaliação técnica.

No áudio encaminhado a Vorcaro, Nikolas disse que confiava no ex-assessor e ofereceu passar o contato dele para que as partes conversassem. Depois, Vorcaro respondeu por uma mensagem de visualização única, e Nikolas enviou o contato de Thiago. Em seguida, o banqueiro escreveu: “Amém, irmão. Estamos na guerra juntos”.
As conversas continuaram nos dias seguintes. Em 1º de abril de 2025, Nikolas avisou que Thiago estaria em Brasília e poderia falar com Vorcaro.

Explicações do deputado
Em vídeo publicado nas redes sociais, Nikolas afirmou que não havia mencionado antes os contatos porque os considerava irrelevantes. Ele também disse que não houve irregularidade na interlocução nem avanço no negócio. Segundo o parlamentar, o projeto não prosperou porque o interessado desistiu após a repercussão negativa envolvendo o Banco Master.
Nikolas afirmou ainda que recebeu de André Valadão, em 2023, o contato de Vorcaro, identificado como “Dani Vorcaro”. O deputado disse que, naquele momento, não sabia que o nome se referia a Daniel Vorcaro.
O parlamentar também comentou uma conversa com Valadão sobre um evento realizado em Londres, em 2024, com patrocínio do Banco Master e participação de ministros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Alexandre de Moraes. Nikolas afirmou que havia criticado publicamente o evento e depois soube que Vorcaro teria ficado insatisfeito com a publicação.
Voos durante a campanha
Em uma conversa com o empresário Flávio Carneiro, em abril de 2024, Vorcaro afirmou ter pago todos os voos usados por Nikolas Ferreira e ameaçou divulgar a informação. As mensagens não esclarecem quantos voos foram custeados nem durante qual período.
A aeronave levou o grupo a nove capitais do Nordeste, entre 20 e 28 de outubro, na reta final da disputa, para atos de campanha. Nikolas já havia usado o avião antes desse giro e, na época, afirmou que não sabia que a aeronave pertencia a Vorcaro.
Na troca de mensagens, Carneiro sugeriu que Nikolas parasse de fazer críticas. Vorcaro perguntou se o deputado havia voltado a atacar, e Carneiro afirmou que o tema poderia virar uma discussão no Congresso.



