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PF apreende cerca de R$ 614 mil em endereços ligados a Ciro Nogueira

Documentos tornados públicos pelo STF detalham apreensões de dinheiro, malas e papéis em imóveis do senador e de familiares.

PF apreendeu R$ 614 mil em espécie em endereços de Ciro Nogueira na Operação Compliance Zero

A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 614 mil em dinheiro vivo em imóveis ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, realizada em maio. As buscas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também liberou documentos da investigação sobre relações de agentes políticos com o Banco Master.

No imóvel do senador em Teresina, os agentes encontraram R$ 31.760,00 e 14.070 euros em um cofre. Em Brasília, onde Ciro Nogueira estava durante a operação, foram apreendidos US$ 27.735 e 1.555 euros no escritório usado pelo ex-ministro do governo Jair Bolsonaro.

O relatório da PF também descreve a existência de vinhos e uísques de alto valor, bolsas de grife, joias e relógios de luxo guardados em cofres. Os policiais encontraram ainda malas de viagem vazias com etiquetas em nome de terceiros, incluindo familiares do senador. A situação foi registrada como possível indício de uso das bagagens para transportar dinheiro em espécie.

Apreensões em imóveis de familiares

Na casa de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador, foram localizados 10.155 euros e US$ 55.733 dentro de um cofre. Raimundo é apontado pela investigação como intermediário em negociações de vantagens indevidas pagas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Aos policiais, ele disse que se tratava de um “cofre familiar” e que os valores eram economias para viagens internacionais. Veículos de luxo e aparelhos eletrônicos também foram apreendidos.

Na residência da ex-senadora Eliane Nogueira, mãe de Ciro, os investigadores encontraram dinheiro em reais, dólares e euros. As quantias não foram retidas porque, segundo a avaliação registrada, eram compatíveis com a capacidade econômica da moradora e não apresentavam ligação direta com os crimes investigados. Considerando as cotações atuais, o total das apreensões chegou a R$ 614 mil. Na época dos mandados, o cálculo havia ficado em aproximadamente R$ 589 mil.

Documentos na churrasqueira

Na residência de Ciro Nogueira em Brasília, a PF apreendeu documentos guardados na área da churrasqueira. Uma funcionária doméstica afirmou aos agentes que o senador teria ordenado a queima dos papéis, mas a ação não ocorreu antes da chegada dos policiais.

Entre os materiais havia um rascunho com o cabeçalho “Câmara”, acompanhado de nomes e anotações numéricas. O relatório menciona “Arthur”, “Hugo” e “Luizinho” como possíveis referências aos deputados federais Arthur Lira, Hugo Motta e Doutor Luizinho. A PF registrou que os números associados aos nomes ainda precisam ser esclarecidos.

Ciro Nogueira é investigado sob suspeita de receber vantagens indevidas de Daniel Vorcaro para atuar no Congresso em favor de empresas do grupo Master. A PF também afirma que viagens internacionais do senador foram custeadas pelo banqueiro.

Em 2024, Ciro apresentou uma proposta conhecida como “emenda Master”, que previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a garantia máxima do Fundo Garantidor de Crédito. A investigação também apura a atuação do senador para impedir a instalação de uma CPI sobre o banco.

O senador não respondeu aos contatos feitos por sua assessoria para comentar as apreensões e as menções nos documentos. A liberação do material ocorreu após decisões do ministro André Mendonça e um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao presidente do STF, Edson Fachin. O episódio provocou críticas públicas do ministro Alexandre de Moraes sobre a gestão do sigilo.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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