A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pediu neste sábado, 5, que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, deixe de atuar nos procedimentos relacionados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. A entidade representa mais de 2.000 delegados.
A associação também quer o arquivamento de um procedimento aberto na Procuradoria-Geral da República para controlar externamente a atividade policial. A apuração questiona a conduta da Polícia Federal na produção de relatórios de inteligência sobre buscas e apreensões da Operação Compliance Zero.
Em nota, a ADPF afirmou que Gonet é citado em mensagens de Vorcaro e que há relação entre os dois. Para os delegados, a participação do procurador-geral nos procedimentos faz com que ele atue em situação de impedimento, por envolver fatos nos quais seu nome aparece.
“A ADPF requer que o Procurador-Geral da República se declare impedido e se abstenha de praticar atos”, diz o documento.
A entidade citou o art. 258 do Código de Processo Penal, que, segundo a nota, aplica aos integrantes do Ministério Público as regras de impedimento e suspeição previstas para juízes. A ADPF também pediu que os fatos revelados pela Operação Compliance Zero sejam investigados integralmente, sem seletividade em relação às autoridades envolvidas.
Entre as mensagens mencionadas está uma em que Gonet pede uísque Macalan e charutos para um evento com Vorcaro. Para a associação, a abertura do procedimento tem efeito intimidatório sobre os investigadores e demonstra atuação do procurador-geral em benefício próprio.
A ADPF informou que o documento questionado por Gonet foi elaborado por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do inquérito do Caso Master na Corte. Os delegados afirmam que os profissionais da operação cumpriram ordem judicial dentro dos limites da lei e rejeitam a existência de hierarquia entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.



