Curitiba, Sábado, 3 de outubro de 2026
Curitiba 11°C 11° / 21° Mega-Sena 3065: 8 · 10 · 30 · 38 · 50 · 53
O que acontece aqui, primeiro
Brasil

Pesquisador critica metas climáticas de Salvador e aponta modelo semelhante ao de São Paulo

Paulo Zangalli afirma que o plano baiano prioriza métricas globais e deixa ações estruturais de adaptação sem financiamento garantido.

Pesquisador critica metas climáticas de Salvador e aponta modelo semelhante ao de São Paulo

O plano climático de Salvador segue diretrizes semelhantes às adotadas em São Paulo e, segundo o pesquisador Paulo Zangalli, não enfrenta de forma estrutural problemas como alagamentos, deslizamentos e calor excessivo. Para ele, o documento prioriza metas de redução de emissões e métricas voltadas à atração de investimentos, enquanto medidas de adaptação ficam em segundo plano.

Zangalli é professor e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (UFBA), líder do Grupo de Pesquisa Colapso – Natureza e Sociedade e integrante do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Climatologia. Ele participou da elaboração do Plano de Mitigação e Adaptação para Mudança Clima de Salvador, cuja versão final é de novembro de 2020.

Metas e adaptação

O plano foi produzido no âmbito da C40, rede global de metrópoles voltada para o clima. Salvador assumiu o compromisso de neutralizar as emissões de carbono até 2050. O processo teve financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Fundação Rockefeller, além da articulação da GIZ, agência de cooperação alemã, que contratou o consórcio WayCarbon e ICLEI.

O documento é organizado em quatro eixos: Salvador Inclusiva, Verde-Azul, Resiliente e de Baixo Carbono. Na avaliação do pesquisador, as diretrizes foram padronizadas e não aproveitam adequadamente o diagnóstico de risco climático da cidade.

Das 56 ações previstas para os principais problemas climáticos, alagamentos e deslizamentos, 16 tratam desses temas de forma específica, de acordo com Zangalli. Nenhuma, segundo ele, prevê intervenções estruturais com obras de adaptação para preparar Salvador para chuvas futuras. As medidas estariam mais concentradas na capacitação de setores e na transferência da responsabilidade para os indivíduos.

O pesquisador também aponta poucas ações relacionadas ao calor excessivo, como o mapeamento de ilhas de calor e investimentos em arborização. Para ele, a meta de neutralização de carbono está ligada à lógica da mitigação, enquanto os problemas que afetam diretamente a população exigem políticas urbanas, ordenamento territorial e obras.

Modelo semelhante ao de São Paulo

As diretrizes de uso e ocupação do solo dos dois planos são praticamente iguais, conforme a avaliação de Zangalli. Uma diferença é que o documento paulista inclui mecanismos de win-win, associados ao mercado financeiro e a uma gestão flexível, que não foram incorporados ao plano de Salvador.

Nos dois casos, o retrofit de prédios antigos aparece como diretriz para reduzir a vulnerabilidade. O pesquisador afirma que a medida poderia ser usada para recuperar edifícios abandonados e destiná-los à moradia popular, mas avalia que, na prática, pode favorecer a valorização imobiliária e retirar moradores de áreas centrais.

Zangalli também criticou a participação social na elaboração do plano de Salvador. Segundo ele, reuniões virtuais tiveram microfones silenciados e serviram principalmente para validar documentos produzidos pelo consórcio contratado. A Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal (SECIS), da Prefeitura de Salvador, afirmou que o plano foi elaborado com metodologias reconhecidas internacionalmente e que houve participação por meio de oficinas, audiências e workshops. A pasta classificou essa participação como consultiva e técnica, não de cogestão.

Enchentes em São Paulo

A discussão sobre a adaptação ocorre enquanto o rio Tietê transbordou nesta semana. A vazão chegou a mais de duas vezes o limite máximo normal, provocando alagamentos na capital e no interior. No Jardim Pantanal, o jornalista e morador Rafael Tavares relatou que a água avançou rapidamente durante a madrugada e atingiu carros e móveis.

A Prefeitura de São Paulo informou que a região recebe R$ 59,8 milhões em obras de drenagem, pavimentação e contenção no Rio Tietê. Também declarou que o plano climático, revisado em 2025, tem 36 metas específicas de adaptação, incluindo a implantação de 1.000 jardins de chuva até 2028 em áreas com histórico de alagamentos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.