MILWAUKEE — Brasil e Estados Unidos criaram um grupo de trabalho para discutir as tarifas aplicadas por Washington aos produtos brasileiros. A iniciativa foi anunciada na última quarta-feira (30) e deve servir como canal específico para tratar de obstáculos comerciais e avaliar possíveis soluções entre os dois países.
A criação do grupo ocorreu durante o encontro ministerial do G20 sobre comércio, realizado em Milwaukee, no Wisconsin, entre 30 de setembro e 1º de outubro. A reunião contou com a participação dos ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, anfitrião do encontro.
A advogada Alessandra Brandão, coordenadora de direito tributário do escritório Marcelo Tostes Advogados, em São Paulo, avaliou que o caráter técnico do grupo pode favorecer as negociações. “Essa situação é muito positiva porque, primeiro, é um grupo extremamente técnico, que não discute questões políticas”, afirmou.
Segundo Brandão, os representantes dos dois países poderão analisar o fluxo de comércio, discutir temas ligados ao protecionismo e avaliar incentivos que possam ser considerados inadequados em um cenário de livre concorrência.
Tarifas e impacto em Minas Gerais
Desde julho, estão em vigor uma sobretaxa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, e outra de 10% ou 12,5% para importações de países enquadrados na política americana relacionada ao trabalho forçado.
Em Minas Gerais, carnes, frutas e café estão entre os produtos isentos. Já os setores de calçados, máquinas elétricas e joias estão entre os afetados pelas tarifas. Para Brandão, uma redução das cobranças poderia beneficiar diretamente segmentos como joias e rochas, que dependem do mercado americano.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que o governo brasileiro aguarda, nas próximas semanas, um documento dos Estados Unidos com uma proposta para definir o escopo das negociações. Depois disso, o grupo deverá avaliar as possibilidades de entendimento.
A rodada atual dá continuidade ao processo de aproximação iniciado em agosto, quando Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump conversaram por telefone.



