A Fitch Ratings projetou um cenário em que uma forte queda das ações americanas ligadas à inteligência artificial, combinada à redução dos investimentos, levaria os Estados Unidos à recessão e desaceleraria a economia mundial. A simulação não integra o cenário-base da agência, mas é tratada como um risco de baixa para as projeções globais.
O estudo foi divulgado nesta quarta-feira (9) e elaborado com o modelo econômico global da Oxford Economics. Nele, as ações americanas recuariam cerca de 35% em seis meses. Os mercados acionários de outras regiões cairiam aproximadamente 15%, enquanto a confiança nos investimentos nos Estados Unidos também sofreria um choque.
Efeitos sobre os Estados Unidos e o mundo
Nesse cenário, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos encolheria 0,6% em 2027. Os gastos privados de capital cairiam mais de 6%, e a atividade americana recuaria 1,5% na comparação anual no segundo trimestre do próximo ano.
O crescimento global, calculado pela média Fitch-20, ficaria abaixo de 1% em 2027, patamar compatível com estagnação. China e zona do euro registrariam perdas de 0,8 ponto porcentual no crescimento. Canadá e México, mais expostos ao comércio com os Estados Unidos, teriam impactos superiores a 2% do PIB.
A demanda mais fraca reduziria a inflação e abriria espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve, o banco central americano. Na simulação, o Fed reduziria os juros em 325 pontos-base.
A Fitch também avaliou um quadro de condições financeiras ainda mais apertadas. Se os cortes de juros fossem neutralizados e os spreads de mercados emergentes e os rendimentos dos Treasuries subissem 100 pontos-base, a perda adicional do PIB americano seria de 0,5% em quatro trimestres. Para o PIB mundial, a perda adicional seria de 0,2%.



