CONTAGEM — A Forno de Minas processa cerca de 5 milhões de litros de leite por mês em seu laticínio e decidiu usar parte da capacidade produtiva para entrar no varejo de queijos. A empresa lançou três opções — Minas Padrão, Gouda e Parmesão — inicialmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A operação acompanha o modelo verticalizado adotado pela companhia. O leite é captado diretamente de produtores cadastrados e aprovados pelo controle de qualidade, passa pelo laticínio e chega ao produto final. O queijo já era usado nas receitas de pão de queijo da marca.
Teste antes da expansão
A Forno de Minas pretende levar os produtos ao restante do país em um período de seis meses a um ano. Antes disso, vai observar a resposta dos consumidores para ajustar sabores, embalagens, portfólio, pontos de venda e logística.
A escolha da Região Metropolitana de Belo Horizonte considera fatores logísticos e comerciais, além da familiaridade da empresa com o mercado local. O queijo é resfriado, enquanto o pão de queijo é congelado. Por isso, os produtos exigem cadeias de distribuição diferentes e não podem ser transportados no mesmo caminhão, explicou Rodrigo Abreu, diretor geral da Forno de Minas.
A distribuição foi planejada para grandes supermercados e atacarejos de Minas Gerais, redes regionais e lojas de bairro. Padarias, empórios, casas de queijos e delicatessens também estão entre os canais previstos.
Produção própria
A fabricação do queijo começou há quase 30 anos, quando a empresa passou a controlar a produção do principal ingrediente usado no pão de queijo. Segundo Abreu, a iniciativa buscava manter o padrão de sabor das receitas. A companhia comprou laticínios em Conceição do Pará, na região Centro-Oeste de Minas, e passou a produzir o próprio insumo.
Com o tempo, visitantes dos laticínios começaram a perguntar se os queijos eram vendidos. A demanda ajudou a levar a empresa ao novo segmento, que também responde ao crescimento do mercado de queijos finos.
A capacidade disponível para a nova linha está ligada ao aumento gradual da produção do laticínio. A Forno de Minas afirma que esse crescimento costuma começar acima da necessidade imediata, deixando espaço para novos produtos. A empresa já planeja o próximo ciclo de expansão da fábrica de Contagem nos próximos três a cinco anos e avalia fazer o mesmo em Conceição do Pará.
Mercado e presença internacional
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que os laticínios fiscalizados no país receberam 27,51 bilhões de litros de leite em 2025, o maior volume da série histórica. Minas Gerais respondeu por 23,9% desse total e manteve a liderança entre os estados.
A Euromonitor aponta crescimento do mercado brasileiro de queijos em valor e volume em 2025, com expectativa de avanço anual de dois dígitos em valor nos próximos anos. Queijos macios e duros estão entre as categorias que devem impulsionar esse movimento.
Em dezembro de 2024, os “Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal” entraram na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Foi o primeiro bem cultural brasileiro ligado à cultura alimentar a receber esse reconhecimento.
A Forno de Minas atende o mercado nacional e exporta para 14 países. A companhia tem 1,6 mil colaboradores, produz em Portugal e prevê começar a fabricar nos Estados Unidos nos próximos meses. Também está presente em países da América Latina e no Canadá.



