SÃO PAULO — A Gerdau avalia a compra do Porto Sudeste como uma possibilidade de ampliar, no médio prazo, sua atuação e competitividade na mineração. O CEO Gustavo Werneck confirmou que a empresa trabalha em uma oferta pelo terminal em parceria com outras companhias, entre elas a Vale.
Os proprietários do empreendimento, porém, ainda não estão próximos de tomar uma decisão final sobre a venda. O Porto Sudeste fica em Itaguaí, no Rio de Janeiro, e pertence à gestora de investimentos Mubadala e à trader de commodities Trafigura. A Gerdau, a Vale e a Global Infrastructure Partners (GIP), gestora de fundos controlada pela Black Rock, analisam a possibilidade de apresentar uma proposta.
Produção mineral em estudo
Segundo Werneck, aumentar a produção de minério de ferro ainda é um objetivo em fase de estudos. A empresa pode decidir sobre o projeto nos próximos 12 meses. Nesse plano, a participação em um terminal portuário seria um apoio logístico para o crescimento.
“Temos bons direitos minerários em locais tradicionais, bons produtores de minério, com teor de ferro significativo, com baixo contaminante. Então, o primeiro passo a gente já tem”, afirmou o CEO durante o Congresso Aço Brasil 2026, promovido pelo Instituto Aço Brasil, em São Paulo. Ele também disse que a logística é muito relevante para o projeto.
Mina de Miguel Burnier
A expansão da mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto, na região Central de Minas Gerais, elevou a capacidade anual da unidade para 5,5 milhões de toneladas de minério de ferro. De acordo com Werneck, a operação está em fase de ramp-up e deve alcançar a capacidade total no início de 2027.
A Gerdau deverá consumir 3,5 milhões de toneladas por ano. O volume restante poderá ser vendido no mercado interno e no externo. A planta também permite reduzir um pouco a produção e elevar o teor de ferro do minério, se necessário.
O investimento em Miguel Burnier é de cerca de R$ 3,5 bilhões e tem como objetivo aumentar a competitividade da usina de Ouro Branco, na região Central de Minas Gerais. Werneck afirmou que o capital poderia ser usado em novas plantas e produtos, mas foi destinado a resolver problemas que, na avaliação dele, o Brasil deveria ter solucionado.



