A Moody’s reafirmou em Baa2 a classificação da Vale para emissor de longo prazo e dívida sênior sem garantia. A perspectiva permanece estável, assim como a expectativa de que os indicadores de crédito da companhia sejam compatíveis com essa nota nos próximos 12 a 18 meses, mesmo com preços menores do minério de ferro e custos operacionais mais altos.
As notas subordinadas, chamadas de híbridas, continuam classificadas em Baa3. Para a agência, a avaliação da Vale é apoiada pela liderança no transporte marítimo de minério de ferro, pelos custos competitivos, pela liquidez forte, pela baixa alavancagem e por políticas financeiras conservadoras. A Moody’s resumiu a avaliação como um “sólido perfil de crédito da companhia”.
A expansão dos negócios de cobre e níquel contribui para diversificar as atividades da empresa. Por outro lado, a concentração no minério de ferro, a exposição de ativos ao Brasil e os passivos ligados a Brumadinho e Samarco continuam entre os pontos de atenção.
Indicadores financeiros e passivos
A produção de minério de ferro alcançou 339 milhões de toneladas nos 12 meses encerrados em junho. No primeiro semestre, as operações de cobre e níquel tiveram lucros maiores.
Em junho, a relação entre dívida total, arrendamentos e Ebitda ajustado era de 1,4 vez. A dívida líquida expandida recuou para US$ 16,7 bilhões, abaixo do limite de US$ 20 bilhões definido pela própria Vale.
A companhia também contava com US$ 5,8 bilhões em dinheiro, equivalentes e investimentos de curto prazo. Além disso, mantinha uma linha de crédito rotativo de US$ 5 bilhões.
A Moody’s avaliou que as obrigações relacionadas a Brumadinho e Samarco seguem relevantes, mas estão mais administráveis. Em junho, aproximadamente 83% dos compromissos do acordo de reparação de Brumadinho tinham sido cumpridos. Os desembolsos ligados à Samarco somavam R$ 82,4 bilhões.
A agência também mencionou riscos recentes de governança, mas considerou que seus efeitos são administráveis e neutros para a classificação neste momento. A avaliação considera que não houve impacto no desempenho operacional, na liquidez ou nos indicadores de crédito. A expectativa é de que investimentos, dividendos e pagamentos referentes a Brumadinho e Samarco continuem compatíveis com a geração de caixa da Vale.



