O petróleo voltou a ser negociado acima de US$ 100 por barril nesta quarta-feira (9), após novos ataques entre Estados Unidos e Irã atingirem embarcações no Golfo Pérsico. O movimento aumenta o temor de interrupções no fornecimento e de pressão adicional sobre a inflação global.
Às 10h30 (de Brasília), o Brent para novembro subia 2,91%, a US$ 100,77 por barril. O WTI para outubro avançava 3,02%, a US$ 95,84. Em Nova York, o contrato acumulava alta superior a 25% nos últimos 30 dias.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atingido duas embarcações americanas e oito petroleiros. Teerã disse que a ação foi uma resposta aos ataques dos Estados Unidos contra cinco petroleiros iranianos. Washington contestou a informação: o Comando Central dos Estados Unidos, conhecido como Centcom, negou que dois destróieres da Marinha tenham sido atingidos e declarou que as tentativas fracassaram.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou os ataques americanos e classificou como legítima defesa as ações contra instalações militares na Jordânia e embarcações dos Estados Unidos.
A tensão afeta o transporte de petróleo e derivados na região, especialmente diante das incertezas relacionadas ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de energia. O risco de novas interrupções eleva o valor adicional exigido pelo mercado para negociar a commodity.
Efeitos sobre inflação e juros
A valorização do petróleo também pressionou os mercados financeiros. Os rendimentos dos Treasuries subiram, enquanto os futuros das bolsas de Nova York recuaram. Às 10h30, o Dow Jones caía 0,48%, o S&P 500 perdia 0,29% e o Nasdaq recuava 0,46%.
Combustíveis mais caros aumentam despesas de empresas e consumidores e podem dificultar a atuação do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, antes da próxima decisão sobre juros. A divulgação do índice de preços ao consumidor americano, o CPI, está prevista para sexta-feira e pode alterar as apostas para a política monetária.
No Brasil, o Brent mais caro pode beneficiar empresas exportadoras de petróleo e melhorar os termos de troca do país, embora também pressione os juros.



