SÃO PAULO — A biblioteca da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo voltou a sofrer alagamentos desde sábado (12), após fortes chuvas na cidade. O prédio permanece fechado, e os funcionários retiraram todo o acervo do segundo andar para reduzir o risco de novas perdas.
O local ainda conta com uma cobertura provisória instalada depois que parte do teto desabou, em maio. De acordo com servidores, nenhuma empresa foi contratada para concluir a reforma desde a rescisão do contrato anterior. A direção da faculdade informou que a proteção temporária não impediu uma entrada significativa de água durante as chuvas da última semana.
Obras e danos ao acervo
A biblioteca estava em obras quando ocorreu o desabamento. Um dia antes do temporal, a empresa responsável havia retirado as telhas, o que levou à queda do teto e provocou danos na parte elétrica do prédio. Na ocasião, a água atingiu cerca de quatro mil livros, além de documentos didáticos e históricos e exposições artísticas.
A instituição aguardava a obra desde 2024, por causa de infiltrações recorrentes. O contrato, no valor de R$ 638 mil, foi firmado em 20 de janeiro. Depois do desabamento, a administração central da USP rescindiu o acordo e acionou a Justiça para responsabilizar a empresa pelos danos. A Superintendência do Espaço Físico afirmou que a contratada não adotou as medidas necessárias para proteger o prédio.
A direção da Faculdade de Educação disse que busca, com a Reitoria da USP, uma solução para executar o reparo definitivo do telhado. Procurada no fim da manhã desta terça-feira (15), a reitoria não havia respondido sobre a situação até a publicação.
O acervo da biblioteca tem mais de 250 mil itens, incluindo 60 mil volumes de obras consideradas raras. O material foi distribuído provisoriamente entre o térreo e o primeiro andar. Com o fechamento, alunos, professores e pesquisadores não podem acessar o espaço.
A chefe da biblioteca, Daniela Pires, afirmou que a cobertura provisória continua sendo a única proteção do prédio, do acervo e dos funcionários. A unidade também reúne a maior biblioteca brasileira de livros didáticos, com materiais dos primeiros anos de escolarização do país até os dias atuais.



