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Educação

Escolas apostam em reflexão para enfrentar misoginia entre estudantes

Colégios combinam sanções, debates e atividades práticas para discutir violência contra mulheres e comportamentos machistas.

Escolas apostam em reflexão para enfrentar misoginia entre estudantes

Dois alunos que tiveram atitudes misóginas contra uma colega no Colégio Rio Branco receberam sanções e também participaram de atividades para refletir sobre a banalização da violência e das ofensas contra as mulheres.

O processo incluiu um roteiro de estudos, vídeos, conversa com a aluna ofendida, debates com professores e uma apresentação sobre os julgamentos que recaem sobre as mulheres. Para a diretora-geral, Esther Carvalho, a resposta da escola não deve se limitar à punição. “A expulsão é a última instância de um projeto educacional”, afirmou.

Segundo Carvalho, machismo, misoginia e violência contra a mulher são tratados de forma transversal, integrados a diferentes componentes curriculares. Situações do cotidiano também são levadas para a sala de aula como ponto de partida para debates entre os estudantes.

Prevenção e experiências nas escolas

A lei 14.164, sancionada em junho de 2021, alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional para incluir direitos humanos e prevenção de todas as formas de violência contra crianças, adolescentes e mulheres entre os temas transversais da educação básica. A norma também criou a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher, realizada anualmente em março nas escolas públicas e privadas de todo o Brasil.

A pesquisa “Livres para sonhar? Percepções da comunidade escolar sobre violência contra meninas”, da organização Serenas, apontou que 76% dos professores disseram ter presenciado difamação, apelidos depreciativos, boatos ou humilhação pública contra alunas. Outros 68% testemunharam comentários constrangedores sobre corpos e roupas, enquanto 70% viram estudantes sexualizando garotas por causa do comportamento ou das roupas.

No Colégio Equipe, alunos do ensino médio participam de um curso sobre adolescência, corpo, sexualidade, relações de gênero e pertencimento. A escola também usa situações do cotidiano como objeto de reflexão. De acordo com a diretora Luciana Fevorini, o trabalho foi aprofundado no ano passado após a identificação de episódios de violência e da naturalização de comportamentos machistas.

Nos anos finais do ensino fundamental, os meninos discutem como se veem e como gostariam de ser vistos. As atividades abordam a pressão para demonstrar força, esconder emoções e evitar atitudes que possam expô-los diante do grupo. Famílias e comunidade também participam de encontros sobre performances de gênero, violência contra as mulheres, homofobia, transfobia, cultura red pill e os impactos do machismo sobre os homens.

Atividades práticas

Nas mais de 130 escolas da rede Sesi no estado de São Paulo, o programa Juventudes AntiMisoginia envolve alunos a partir do nono ano. Comitês formados por estudantes e professores desenvolvem ações conforme as necessidades de cada unidade, como fanzines, análise crítica de músicas, campanhas, palestras e iniciativas solidárias.

Entre as atividades estão um escape room com pistas e desafios para ajudar uma mulher fictícia a sair de uma situação de violência e uma loja de “inconveniência”, com produtos que simulavam problemas sociais, como salários desiguais e frases machistas. A proposta era refletir sobre a ideia de não tolerar ou “comprar” essas práticas.

Na Escola Vera Cruz, em São Paulo, discussões sobre relações de gênero acompanham os estudantes ao longo da jornada escolar. Entre crianças de 8 a 10 anos, reuniões com representantes de classe levaram a mudanças no recreio, incluindo a divisão da quadra para garantir espaço a times femininos de futebol. Também foram criadas aulas de dança e oficinas de crochê e bordado, com incentivo à participação dos meninos.

Neste ano, alunos dos anos finais do ensino fundamental escolheram discutir amizade tóxica, controle, exclusão e relações de poder. No ensino médio, o tema aparece no coletivo feminista e em aulas sobre projeto de vida e convivência ética, com debates sobre consentimento, autocuidado e equidade de gênero.

Relatos e acolhimento

Na Escola Estadual Heckel Tavares, na zona Leste de São Paulo, a violência contra a mulher passou a fazer parte das aulas depois que a diretora Jucilane de Araújo Freitas tornou pública sua história de violência doméstica, que incluiu uma tentativa de feminicídio.

Em 2022, ela reuniu professores, funcionários e alunos do ensino médio no pátio e contou o que viveu, mostrando fotos das agressões. O tema passou a integrar jogos didáticos de tabuleiro baseados nas diretrizes da BNCC. Um deles, chamado “Mulheres que Brilham”, apresenta mulheres importantes da história do país e do mundo. Jucilane foi incluída entre as personagens.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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