SÃO PAULO — Claudio Carsughi morreu depois de construir uma trajetória ligada ao jornalismo esportivo, à Fórmula 1, ao futebol e à defesa do Brasil. Italiano de Arezzo, ele chegou ao país ainda jovem e trabalhou por quase 60 anos na Jovem Pan.
Aos 91 anos, Carsughi participou de uma entrevista na RECORD ao lado da filha, Claudia. O encontro ocorreu em 19 de junho de 2024 e durou uma hora, embora tivesse sido planejado para 45 minutos. Para atravessar os corredores do estúdio, ele usou uma cadeira de rodas e, antes da conversa, colocou uma pastilha na boca para reforçar a voz.
Durante a entrevista, falou sobre ética, jornalismo, futebol, automobilismo e o país que escolheu para viver. Ao fim da conversa, afirmou: “este país um dia vai descobrir a força que tem”.
De Arezzo ao jornalismo esportivo
Nascido em 13 de outubro de 1932, Carsughi teve contato com o jornalismo ainda aos 14 anos, quando seu pai ofereceu seus serviços ao Corriere dello Sport. Foi dessa forma que ele acompanhou a Copa de 1950, marcada pela derrota do Brasil para o Uruguai.
Ele também contou que estudou português com Jânio Quadros. Mais tarde, cursou Engenharia na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a Poli. A formação ajudou a moldar sua maneira de analisar esportes como a Fórmula 1 e o futebol.
Carsughi acompanhou as últimas 19 Copas do Mundo. Sobre a derrota de 1950, responsabilizou o treinador Flávio Costa por não ter adotado uma estratégia baseada no empate, que bastava ao Brasil contra o Uruguai.
Acompanhamento dos pilotos
A paixão pelo automobilismo começou na infância, quando ele assistia a corridas de rua na Itália levado pelo pai. No jornalismo, acompanhou de perto as carreiras de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna, Rubens Barrichello e Felipe Massa, além de nomes internacionais.
Carsughi apontou Juan Manuel Fangio como o melhor piloto de todos e citou Ayrton Senna como integrante de seu time ideal. Também foi o primeiro jornalista do Brasil a anunciar a morte de Senna durante uma transmissão da Jovem Pan, após contato com um jornalista na Itália que entrevistava a médica responsável pelo atendimento ao piloto.
Na avaliação dele, a pressão sobre Rubinho e Massa foi injusta. Carsughi dizia que não havia lógica em esperar uma sequência de campeões brasileiros depois de Senna.
Quase seis décadas na Jovem Pan
Além da Jovem Pan, Carsughi comentou futebol e automobilismo na rádio Bandeirantes. Foi editor da Quatro Rodas e trabalhou no Jornal da Tarde e na Gazeta Esportiva. Também atuou como correspondente do Brasil para jornais italianos e teve passagem pelo Sportv.
Sua história foi reunida no livro Meus 50 anos de Brasil, escrito com a participação da filha Claudia. A obra trata da trajetória do jornalista e da relação que construiu com o país onde viveu.



