Mais de 70 mil pessoas foram ao Maracanã no último domingo (27) para acompanhar a vitória de Baltimore. A presença do público no estádio, tradicionalmente associado ao futebol brasileiro, marcou a reunião de torcedores para celebrar uma modalidade que ganha cada vez mais espaço no país.
A cena também resume uma mudança na relação dos fãs com o futebol americano. O esporte, que antes podia parecer restrito a um grupo pequeno, já não é tratado como uma preferência de poucos. Ser fã da NFL ou jogar futebol americano deixou de ser algo que, por si só, diferencia uma pessoa das demais.
Uma paixão construída aos poucos
A ligação com o esporte começou em 2006, durante uma partida entre Cincinnati Bengals e Baltimore Ravens exibida em uma quinta-feira à noite. A vitória de Baltimore despertou o interesse pelos Bengals e pelo futebol americano. Depois, veio uma bola da modalidade como presente de Natal, dada pela irmã mais velha.
Na época, porém, não havia amigos próximos que acompanhassem os jogos ou demonstrassem interesse pelo esporte. A tentativa de dividir o entusiasmo envolvia insistir para que outras pessoas assistissem a uma partida e prestassem atenção suficiente para decidir se gostavam ou não.
Com o tempo, o futebol americano passou a fazer parte da identidade de quem o acompanhava. A sensação de possuir algo diferente se misturou à ideia de entender mais do que os outros. Esse sentimento, porém, também pode criar uma barreira justamente quando o esporte começa a conquistar novos públicos.
Um esporte cada vez mais brasileiro
O futebol americano foi escolhido como paixão há 20 anos, sem uma relação familiar anterior com os Bengals, sem camisas do time na infância ou matrícula em uma escolinha de flag football. Também não havia a expectativa de uma festa de aniversário com o tema de uma equipe da NFL.
Durante muito tempo, assistir a um jogo da NFL no Brasil parecia um plano distante, semelhante às partidas realizadas na Inglaterra no início dos anos 2000, quando a novidade ainda chamava atenção. Depois de trabalhar no terceiro jogo da NFL no país, a experiência no Maracanã pareceu natural, como uma tarde de futebol no estádio.
O futebol americano não chega ao brasileiro por obrigação. É uma escolha de quem resolveu gostar e de quem está aprendendo a gostar. Por isso, a modalidade não pertence mais apenas a quem a acompanhava quando ela era menos conhecida. A expansão do público também significa que novos torcedores podem encontrar seu próprio espaço nesse esporte.



