RIO DE JANEIRO — A estreia da NFL no Rio de Janeiro terminou com vitória do Baltimore Ravens sobre o Dallas Cowboys por 34 a 31, em uma partida decidida no estouro do cronômetro. O chute do kicker Tyler Loop definiu o resultado no último domingo (27), mas o gramado do Maracanã continuou sendo o principal ponto de discussão.
A aparência do campo já era alvo de reclamações de jogadores do Flamengo, do Fluminense e de equipes visitantes. Antes do jogo de futebol americano, porém, ainda não havia uma referência sobre como a grama se comportaria diante das exigências da modalidade: empurrões frequentes no centro do campo, corridas explosivas, cortes secos e chutes dos kickers.
O debate também ultrapassou a avaliação das condições para os atletas. Nas redes sociais, houve críticas à decisão de levar a partida ao Brasil, defesa do cancelamento e manifestações de que os jogos da liga deveriam ocorrer apenas nos Estados Unidos. Esse tipo de reação acompanha a expansão internacional da NFL.
Expansão internacional
Neste ano, a liga terá nove partidas fora dos Estados Unidos, distribuídas por sete países. Com o confronto entre Ravens e Cowboys, a temporada regular chegou a 64 jogos disputados fora do território norte-americano.
O comissário-geral Roger Goodell já falou sobre a possibilidade de uma franquia ser estabelecida em um dos mercados internacionais da liga e, no futuro, de um Super Bowl ser realizado fora dos Estados Unidos. A intenção declarada por dirigentes é que cada equipe dispute ao menos uma partida por temporada no exterior.
A aparência do campo
A discussão sobre a necessidade de um cenário perfeito para jogos internacionais também pode ser comparada à situação de equipes tradicionais da própria NFL. O relatório de 2026 da Associação de Jogadores da NFL classificou o gramado do Pittsburgh Steelers como o pior da liga.
A franquia tem seis títulos de Super Bowl, mas segue com problemas no campo do Acrisure Stadium, antigo Heinz Field. Na última partida de Pittsburgh em casa, o running back Jaylen Warren tropeçou no que parecia ser um punhado de areia enquanto avançava para marcar um touchdown.
Para que o Brasil receba partidas internacionais da NFL todos os anos, a avaliação apresentada é que gramado, organização e festa não devem apenas funcionar: precisam também transmitir uma imagem de perfeição e não deixar margem para dúvidas sobre a capacidade de sediar os jogos fora dos Estados Unidos.



