A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, voltou a criticar o modelo associativo dos clubes de futebol e defendeu a criação de mecanismos para responsabilizar dirigentes por decisões que prejudiquem as instituições. Durante um bate-papo no Confut, ela afirmou que muitos presidentes priorizam a permanência no cargo e não sofrem punições proporcionais pelos atos cometidos durante a gestão.
Leila disse que administra o Palmeiras com uma lógica empresarial, embora o clube seja uma associação. Segundo ela, o futebol é conduzido por profissionais e não sofre interferência política. A dirigente também afirmou que seu marido, que é conselheiro do Palmeiras, não entra no centro de treinamento.
“Eu não estou no Palmeiras para inutilizar o meu clube, eu estou no Palmeiras para servir o Palmeiras”, declarou Leila.
Críticas às associações e defesa das SAFs
Na avaliação da presidente, a falta de responsabilização e a influência das eleições internas fazem com que dirigentes tomem decisões voltadas à manutenção do poder. Ela afirmou que há clubes tradicionais em situação financeira delicada por causa de administrações que classificou como irresponsáveis e disse que o modelo associativo está em decadência.
Leila reconheceu que existem SAFs que não deram certo, mas argumentou que também há dezenas de clubes associativos quebrados no Brasil. Para ela, o modelo empresarial estabelece uma relação mais clara de responsabilidade, já que o proprietário pode sofrer prejuízo patrimonial caso a administração fracasse.
A dirigente também afirmou que a transformação de clubes como Palmeiras, São Paulo e Flamengo em empresas encontra resistência entre conselheiros e presidentes ligados à política interna das instituições. Segundo Leila, esses grupos podem exercer, na prática, o papel de donos sem assumir os mesmos riscos de um proprietário.
Ela defendeu ainda que pessoas responsáveis pela venda de um clube a compradores sem credibilidade sejam responsabilizadas.
Administração do Palmeiras
Leila afirmou que nunca utilizou o Palmeiras em benefício próprio e disse que não viajou às custas do clube. Também citou a concessão da Arena Barueri por 35 anos, para que a equipe tenha uma alternativa quando não puder jogar no Allianz Parque por causa de shows.
A presidente declarou que pretende deixar o Palmeiras em dezembro de 2027 com a consciência tranquila. Ela disse, porém, que não tem a mesma segurança sobre o futuro do clube depois de deixar o cargo, porque os estatutos podem dificultar a punição de dirigentes.
Segundo Leila, é necessário comprovar a intenção de causar prejuízo para caracterizar a responsabilidade. Ela afirmou que a chamada gestão temerária pode ser difícil de punir quando o dirigente alega apenas incompetência.
Expulsão de Julio Casares
As declarações ocorreram no mesmo dia em que o Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou a expulsão de Julio Casares do quadro associativo. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (10), por 223 votos a cinco, após recomendação unânime da Comissão de Ética.
O processo disciplinar foi aberto por situações relacionadas à gestão de Casares como presidente, entre janeiro de 2021 e janeiro de 2026. A Comissão de Ética enquadrou o ex-dirigente no artigo 34 do Estatuto Social do São Paulo, que trata de gestão temerária ou irregular.
O relatório também recomendou que Casares indenize o São Paulo por eventuais danos causados ao clube. O valor ainda será apurado. A votação havia começado na quarta-feira (9), às 17h, no horário de Brasília.
Ao encerrar sua participação, Leila voltou a defender uma revisão do modelo de administração dos clubes brasileiros e afirmou que o sistema associativo não é mais viável.



