A CBF definiu uma redução gradual no limite de estrangeiros que podem atuar por clubes das Séries A e B. O número, hoje fixado em nove por partida no Brasileirão e na Copa do Brasil, cairá para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030. Flamengo e Bahia foram os únicos clubes contrários à mudança.
A entidade relaciona a medida à necessidade de ampliar o espaço para jogadores formados nas categorias de base. Um estudo da CBF aponta que atletas sub-23 somam 13,8% dos minutos disputados na Série A. Na França, o índice é de 38%; na Inglaterra, 32%; na Espanha, 31%; e na Alemanha e na Itália, 28%.
O limite de nove estrangeiros por jogo também não acompanha o número de atletas de outros países nos elencos de parte da Série A. Vasco e Botafogo têm 12 cada; Athletico e Fluminense, 11; Flamengo, Grêmio e Inter, dez.
A redução ainda é apresentada como uma forma de conter gastos. Segundo a avaliação da CBF, jogadores de nível médio da Argentina e do Uruguai costumam custar menos que brasileiros do mesmo nível, mas mais que atletas promovidos da base. No São Paulo, Gustavo Santana recebe R$ 12 mil mensais e ganhou espaço no time principal depois que o chileno Tapia, com vencimentos de R$ 500 mil por mês, foi emprestado.
Outro argumento é o desempenho físico. O estudo aponta que o Brasileirão tem menor volume de corridas em alta velocidade e de sprints que as principais ligas europeias. A CBF associa essa diferença à menor presença de jogadores entre 18 e 24 anos.
A entidade também afirma que a formação de atletas mais jovens pode ampliar as receitas com transferências. Pouco mais da metade dos valores obtidos pelos clubes brasileiros com vendas para o exterior veio de jogadores com até 20 anos: 50,1% dos negócios tiveram origem em brasileiros nessa faixa etária.
A média de idade da Série A subiu de 27,3 anos em 2021 para 28,5 anos. A expectativa é que a saída de estrangeiros abra espaço para atletas da base e que as novas contratações tenham potencial de revenda.
Entre os 20 clubes da Série A, apenas o Mirassol não tem estrangeiros. Coritiba e Chapecoense aparecem com quatro e cinco, respectivamente; Remo tem cinco; Vitória, seis; Bragantino, Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, sete; e Galo, Bahia e Cruzeiro, nove.



