LONDRES — Os comprimidos podem representar até metade do mercado global de medicamentos contra a obesidade até 2030, afirmou Mike Doustdar, diretor executivo da Novo Nordisk, nesta terça-feira (22). A empresa dinamarquesa prepara uma expansão dos tratamentos orais, enquanto as injeções semanais ainda dominam o setor.
A Novo Nordisk tem cinco medicamentos orais em desenvolvimento. Segundo Doustdar, os concorrentes mantêm foco maior nos injetáveis: há oito tratamentos desse tipo em desenvolvimento para cada dois comprimidos. “O que acontece se, até 2030, o mercado estiver 50/50 (comprimidos para injetáveis)?”, questionou o executivo.
Projeções e desempenho
A divisão projetada pela Novo Nordisk ficaria acima das estimativas de Wall Street. As previsões indicam que os tratamentos orais devem responder por 14% a 40% de um mercado global de medicamentos contra a obesidade estimado entre US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões até 2030.
A empresa lançou o Wegovy em 2021. Desde então, suas ações caíram mais de 70% em relação ao pico, enquanto a Eli Lilly superou a participação de mercado da concorrente.
O comprimido Wegovy trouxe algum alívio para a Novo Nordisk. Nos Estados Unidos, os tratamentos orais já representam cerca de um terço das prescrições para obesidade, conforme apresentações da empresa. A farmacêutica responde por mais de 80% das novas prescrições de comprimidos.
A pílula registrou quase US$ 843 milhões em vendas no primeiro semestre. A linha oral da empresa também inclui o zenagamtide, um comprimido de dupla ação de última geração, um análogo oral da amilina e um medicamento de molécula pequena.
Doustdar disse ainda que o Wegovy oral tem proteção contra medicamentos genéricos até meados e finais da década de 30, por meio de patentes relacionadas à tecnologia de administração SNAC. A proteção considera o período posterior à perda de exclusividade da semaglutida, prevista para o início da década de 2030.



