SÃO PAULO — A proibição das apostas esportivas no Brasil ameaça mais de R$ 1,1 bilhão que os principais clubes esperavam arrecadar até o fim de dezembro. As equipes planejavam usar os valores recebidos das bets no orçamento de 2026 e pediram ao governo federal ao menos três meses para reorganizar as finanças.
Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Flamengo, Botafogo, Vasco, Fluminense e Cruzeiro haviam divulgado uma nota alertando para os efeitos do fim das apostas. A maior receita prevista era a do Flamengo, com R$ 265 milhões, seguido por Corinthians, com R$ 150 milhões; São Paulo, R$ 113 milhões; Palmeiras, R$ 100 milhões; e Santos, R$ 70 milhões.
Também estavam na lista Botafogo, com R$ 55 milhões; Fluminense, R$ 52 milhões; Vasco, R$ 50 milhões; Cruzeiro e Atlético, R$ 40 milhões cada; e Bragantino, R$ 31 milhões.
A Medida Provisória publicada pelo governo federal estabeleceu que, em 25/9, começou a proibição de novos aportes nas plataformas. Os apostadores tiveram até 5/10, às 23h59, para retirar voluntariamente os valores. A partir de 6/10, sites e aplicativos de apostas saem do ar.
Entre 7 e 8/10, as empresas devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, separados por CPF. Os bancos terão de 9 a 14/10 para devolver o dinheiro. Depois de 14/10, se houver algum obstáculo, a Caixa Econômica Federal receberá os recursos e fará a devolução.
O governo informou que já havia concedido 85 autorizações para apostas de quota fixa. Cada uma custou R$ 30 milhões, somando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas. A extinção das autorizações não prevê indenização por lucros cessantes, investimentos ou expectativa de continuidade da atividade.
Com os contratos em vigor e a necessidade de substituir as receitas, departamentos jurídicos dos clubes tentam manter os patrocínios por algum tempo. Nesse cenário, a Atlas Technologies, responsável pelas plataformas de conteúdo adulto Fatal Fans e Fatal Models, avalia ampliar sua presença na Série A.
A empresa patrocina o Corinthians por R$ 22 milhões e tem renovação encaminhada para 2027, por R$ 31 milhões. Na Série B, apoia Operário e Vila Nova. Com patrimônio de mais de R$ 200 milhões, também tentou comprar os naming rights dos estádios do Vitória e do Athletico Paranaense.



