Um aplicativo reúne em um mapa digital lugares do Rio de Janeiro citados por Machado de Assis em seus livros e relacionados à trajetória pessoal do escritor. A ferramenta, chamada “Rio de Machado”, integra um conjunto de projetos on-line criado pelo biógrafo C.S. Soares.
O mapa já conta com 98 pontos, entre ruas, praias, teatros, praças e igrejas. A pesquisa pode ser feita pelo nome do local ou pela obra que o leitor está acompanhando. Ao selecionar um ponto, o usuário encontra informações históricas e uma breve descrição sobre o espaço.
Em “Quincas Borba”, por exemplo, o sistema indica locais percorridos pelos personagens, como o Largo do Paço, nome usado na época para a área diante do atual Paço Imperial, e a Rua Direita, hoje chamada Primeiro de Março. Os dois endereços aparecem em uma história contada pelo personagem Quincas Borba.
O aplicativo também marca endereços ligados à vida de Machado, que nasceu no Morro do Livramento, na atual Zona Portuária do Rio, e passou por diferentes regiões até chegar ao Cosme Velho. Entre os locais mapeados estão ainda a Rua do Ouvidor, frequentada pelo escritor e citada em várias obras; o Engenho Novo, mencionado em “Dom Casmurro”; o Catete, presente em “Dom Casmurro”, “Esaú e Jacó” e “Memorial de Aires”; e a Rua de Mata-cavalos, atual Riachuelo, também citada em “Dom Casmurro”.
Outros projetos
Além do mapa, Soares criou o “Machado hoje”, calendário com fatos da vida do escritor para cada dia do ano, e o “Dicionário de personagens”, que apresenta figuras do universo machadiano.
As iniciativas reúnem informações que ficaram fora de “O filho do inverno”, livro publicado pela Ação Editora. A obra tem 640 páginas e acompanha a vida de Machado desde o nascimento até “Memórias póstumas de Brás Cubas”. Uma continuação está prevista para breve.
Soares afirma que estudou Machado por 20 anos e organizou um banco de dados sobre o escritor. Para ele, os aplicativos, sites e páginas planejados podem formar um portal dedicado ao autor.
Machado de Assis viveu entre 1839-1908 e também ficou conhecido por registrar aspectos do Rio de Janeiro. Soares afirma que a relação entre o escritor e a cidade aparece desde os primeiros textos, com referências à vida urbana e ao contexto histórico do período.



