A primeira semana de setembro teve como principais assuntos no mercado financeiro as liquidações da Trustee e da Banvox, mudanças nas perspectivas para a Selic e desdobramentos envolvendo empresas e gestores.
O Banco Central decretou o encerramento das atividades das duas distribuidoras após identificar irregularidades. A liquidação não significa, por si só, perda dos investimentos dos clientes. Aplicações apenas guardadas ou registradas pelas empresas continuam pertencendo aos investidores e devem ser transferidas para outra instituição.
No caso de fundos ligados à Trustee e à Banvox, a liquidação das distribuidoras também não encerra automaticamente os produtos. Outro administrador ou gestor pode assumir o fundo. Se os ativos estiverem registrados e separados do patrimônio das empresas, a carteira e os cotistas podem ser mantidos. Em situações como irregularidades nos ativos ou ausência de um novo administrador, o próprio fundo pode ser liquidado, com venda da carteira e distribuição dos recursos.
Fiscalização e casos envolvendo empresas
A Comissão de Valores Mobiliários anunciou o uso de inteligência artificial para monitorar operações 24 horas por dia. A ferramenta poderá multiplicar por quatro a identificação de movimentações suspeitas, incluindo negociações baseadas em informações relevantes ainda não divulgadas.
A CVM também pretende reunir dados da autarquia, da B3 e da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais em uma única estrutura.
Os sócios da Apex Partners, Fernando Antônio Kulnig Cinelli e Eduardo Costa Constâncio Siqueira, foram afastados após investigações sobre inconsistências contábeis, gerenciais e financeiras. Marcelo Murad Brumana foi nomeado administrador interino. Cinelli teve bens bloqueados e o sigilo bancário quebrado após movimentações de mais de R$ 23 milhões para contas em seu nome.
O Ministério Público Federal denunciou Luiz Augusto Faria do Amaral e José Alves Neto, sócios fundadores da TRX, por suspeita de gestão fraudulenta. A acusação envolve operações entre 2014 e 2019 e ainda será analisada pela Justiça.
Juros e investimentos
A inflação perdeu força, enquanto a economia brasileira apresentou sinais de desaceleração no segundo trimestre. Com isso, aumentaram as apostas de continuidade na redução da Selic. A taxa caiu para 14%, e o mercado passou a avaliar os efeitos de um ciclo de juros menores até 2027.
Títulos prefixados e ligados à inflação podem se beneficiar, enquanto investimentos pós-fixados tendem a render menos com a queda dos juros. A renda fixa continua atrativa porque as taxas permanecem elevadas, e a diversificação é recomendada diante das incertezas sobre as eleições e o cenário internacional.
Nas carteiras de dividendos, Ágora, Planner, BB Investimentos e Andbank fizeram mudanças para setembro. Entre as ações citadas estão Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3), Axia (AXIA3), Petrobras (PETR4) e Copasa (CSMG3). A Terra manteve sua seleção sem alterações.
As recomendações de fundos imobiliários de XP, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander e Terra mantiveram espaço para fundos de recebíveis e ampliaram a atenção a fundos de logística, shoppings e lajes corporativas. Kinea foi a gestora mais recorrente nas indicações, seguida por Pátria e BTG Pactual.
Entre outros destaques, a Vale Base Metals respondeu por 22% do Ebitda da Vale em 2025 e pode chegar a 35% no longo prazo. Luiz Barsi afirmou que não pretende aumentar sua posição no Banco do Brasil neste momento. No mercado de criptomoedas, 21 bancos globais preveem lançar uma stablecoin atrelada ao dólar no primeiro semestre de 2027.
Entre investidores de alta renda, cerca de 57% dos recursos de renda fixa estão em CDBs pós-fixados, enquanto pouco mais de 3% ficam em títulos Tesouro IPCA+. Simulações indicam que o IPCA+ pode superar o CDB em prazos mais longos, com uma taxa real acima da inflação.



