SÃO PAULO — Áudios encontrados no celular de José Daniel Satilite mencionam Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, em conversas sobre a substituição de uma empresa de ônibus atingida pela Operação Fim da Linha. A Polícia Civil aponta Satilite como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e intermediário entre empresários, advogados, políticos e integrantes da facção.
A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada em 17 de setembro de 2026, com 18 mandados de busca e apreensão e 16 de prisão. Milton Leite está entre os alvos. Os investigadores o apontam como dono de fato da Transwolff. Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, também foi alvo e acabou preso.
Os arquivos foram extraídos de um iPhone XR apreendido em 5 de junho de 2025, durante o cumprimento de um mandado judicial. Em uma conversa de julho de 2024, Satilite fala com o advogado Cícero José dos Santos Filho sobre a possibilidade de substituir a UPBus por uma empresa ligada ao grupo dele. Na gravação, afirma: “vai envolver o Milton Leite”.
Em outro áudio, de 15 de julho de 2024, Cícero menciona uma reunião relacionada a Levi dos Santos Oliveira e diz: “Eu acho que vai envolver Milton Leite, o pessoal todo.” As conversas foram analisadas pelos investigadores no contexto das tratativas para trocar empresas que operavam linhas de ônibus após a Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo em 2024.
O que aparece nas investigações
Os diálogos também citam Ubiratan Antonio da Cunha, conhecido como Bira e ligado à UPBus, e Silvio Luiz Ferreira, o Cebola, apontado como integrante da liderança do PCC. Segundo a investigação, Satilite teria dito que não precisava tratar diretamente com Bira, mas com o “patrão dele”, em referência a Cebola.
Após a prisão de Bira na Operação Fim da Linha, as conversas passaram a abordar a possibilidade de assumir o comando da garagem da UPBus, com aval atribuído a Cebola. A investigação afirma ainda que Levi mantinha encontros periódicos com Satilite para tratar de interesses relacionados a empresas de transporte.
No pedido que embasou a operação, Milton Leite é apontado como responsável direto pela operação de algumas empresas que, segundo os investigadores, seriam controladas pelo PCC. O documento também menciona declarações de policiais militares prestadas ao Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais ele seria o dono de fato da Transwolff.
Satilite também foi alvo da operação, mas não havia sido preso até a última atualização. Milton Leite afirmou que estava viajando, negou estar foragido e disse que se apresentaria às autoridades. A defesa da Tranwolff negou participação societária ou atuação dele na gestão da empresa. A defesa de Levi declarou que ele não tem antecedentes e destacou sua trajetória de serviços públicos em São Paulo.



