Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, apresentou-se à polícia nesta sexta-feira (18), em uma delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ele era alvo de um mandado de prisão temporária expedido na Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17), e estava foragido.
Acompanhado de um advogado, Leite afirmou que estava viajando e que retornaria para provar sua inocência. Ele será ouvido e, depois, levado para a cadeia pública de Mogi das Cruzes. A prisão temporária tem validade de 30 dias.
Suspeitas investigadas
A Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investigam a relação do ex-parlamentar com a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital paulista.
De acordo com um relatório da Polícia Civil anexado ao processo, Milton Leite é citado como responsável direto pela operação de algumas empresas que estariam sob controle da facção. O documento também registra declarações de policiais militares prestadas ao Tribunal de Justiça Militar segundo as quais ele seria o dono de fato da Transwolff, uma das empresas investigadas na Operação Fim da Linha.
A investigação ainda aponta que uma empreiteira ligada a Leite teria contratos sob análise com empresas de transporte relacionadas ao PCC. O documento não informa o nome da empreiteira nem detalha os contratos.
Em outro trecho, a polícia descreve o ex-vereador como alguém de “forte influência no ramo dos transportes”, com base em relato atribuído a José Daniel. O nome de Leite também aparece em uma lista de pessoas que os investigadores consideram ligadas ao esquema.
A polícia e o Ministério Público suspeitavam que ele pudesse estar escondido em um imóvel de Sorocaba, no interior de São Paulo. Leite não foi encontrado no local. Durante a ação, foram apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil, valor estimado em cerca de R$ 457 mil, além de documentos. Outra pessoa estava no imóvel e não soube explicar a origem do dinheiro.
Relação com empresas de transporte
Segundo a investigação, em um diálogo ocorrido após a Operação Fim da Linha, em abril de 2024, José Daniel disse ao advogado Milton Milreu que havia discutido a substituição da empresa UPBus pela Translider. Caso a mudança ocorresse, seria necessário avisar Milton Leite, conforme o documento.
A defesa da Transwolff nega a participação de Leite na empresa. Em nota, afirma que ele nunca teve participação societária, não participou da gestão e não deu ordens. Também considera equivocada e dissociada da realidade a afirmação de que ele seria o dono de fato da companhia.
Origem da investigação
A Operação Vectura Corrupta é apontada como desdobramento de ações anteriores. A Operação Decurio, de agosto de 2024, começou após a apreensão de 40 kg de drogas em Itaquaquecetuba. O texto da investigação também menciona a apreensão de 30 quilos de drogas na mesma cidade, seguida da extração de dados do celular da mulher de um dos líderes da facção.
As informações levaram à identificação e à prisão de integrantes da chamada “Sintonia Final” e à descoberta de uma fintech que teria movimentado cerca de R$ 8 bilhões. A Operação Contaminatio, realizada em abril de 2026, concentrou-se na estrutura dessa empresa de tecnologia financeira e na rede de doleiros e operadores de criptoativos usada para lavar dinheiro.
Segundo a investigação, o grupo pretendia usar a fintech para se infiltrar em prefeituras e assumir o gerenciamento do recebimento de tributos, taxas e do contato direto com os moradores. Nessa etapa, foi preso um ex-vereador de Santo André. A primeira fase também identificou campanhas de vereadores patrocinadas pela facção e o envolvimento de servidores comissionados em prefeituras do estado.



