SÃO PAULO — O Sistema Cantareira ganhou 58,1 bilhões de litros de água nos primeiros 15 dias de setembro, impulsionado pelo maior volume de chuva já registrado para o mês na capital paulista. O armazenamento subiu de 325,5 bilhões para 383,6 bilhões de litros no período.
Até terça-feira (15), São Paulo havia acumulado 261,8 mm de chuva em setembro. O volume fez deste o mês mais chuvoso da série histórica para o período desde o início das medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em 1943.
O volume útil do manancial avançou de 33,14% para 39,06% entre os dias 1º e 15 de setembro, uma alta de 5,86 pontos percentuais. Os dados são do Portal dos Manciais, sistema de acompanhamento da Sabesp.
Faixas de operação e recuperação
O Cantareira está na Faixa 3 (Alerta), que permite a retirada de até 27 m³/s para o abastecimento. Na condição de normalidade, a captação pode chegar a 33 m³/s. Se a recuperação continuar, o sistema poderá passar para a Faixa 2 (Atenção), aplicada quando o armazenamento fica entre 40% e 60%.
A melhora interrompeu uma sequência de redução dos reservatórios. O maior nível do ano havia sido registrado em 25 de março, com 44,11% do volume útil. Depois disso, o armazenamento caiu durante abril, maio, junho, julho e agosto, encerrado com 33,02%.
Em duas semanas, o sistema recuperou aproximadamente metade do volume perdido nos cinco meses anteriores. Para Luz Adriana Cuartas, hidróloga e pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), as chuvas de setembro tiveram efeito significativo sobre os reservatórios.
A pesquisadora afirmou que uma elevação de cerca de 5% no armazenamento em duas semanas é expressiva. Em agosto, mesmo com chuvas próximas da média histórica, houve perda de 3,7% no volume. Em junho, apesar de precipitações acima da média, a redução foi de 0,4%.
Projeções para o fim do ano
Segundo Cuartas, o risco de desabastecimento diminuiu em relação às projeções feitas no início do ano pelo Cemaden. O armazenamento atual também está acima do registrado no mesmo período de 2025, quando o Cantareira operava com cerca de 31,3%.
Nos cenários do Cemaden, se as chuvas ficarem 50% abaixo da média até dezembro, o sistema poderá terminar o ano com cerca de 30% de armazenamento. Esse nível seria superior ao do fim do ano passado, quando ficou em torno de 20%.
Em um cenário de chuvas na média, a previsão é chegar a cerca de 52% em dezembro. Com precipitações 25% acima da média, o nível poderia alcançar 66%; com chuvas 50% acima da média, chegaria a 82%, conforme a pesquisadora.
A SP Águas informou que as chuvas das primeiras semanas do mês contribuíram para a recuperação. A melhora permitiu a redução da Gestão de Demanda Noturna (GDN) para oito horas ao longo de setembro, após autorização do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, formado pela SP Águas e pela Arsesp.
A agência também disse que, com a manutenção do ritmo atual de chuvas e da entrada de água, o Cantareira poderá atingir ou se aproximar de 40% ainda em setembro. Uma eventual mudança de faixa será analisada no fim do mês. Para a primavera, a previsão é de chuvas acima da média entre setembro e novembro.
A Sabesp afirmou que as projeções operacionais para 2026 indicam segurança no abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo em diferentes cenários hidrológicos. A companhia informou ainda que medidas adotadas durante a estiagem, como a redução da pressão na rede à noite, geraram economia acumulada de cerca de 193 bilhões de litros de água.



