SÃO PAULO — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (11) a abertura de um inquérito específico da Polícia Federal para investigar o contrato de fornecimento de wi-fi entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo. A apuração trata dos serviços oferecidos na periferia da capital paulista.
Dino também ordenou que a Polícia Civil de São Paulo envie ao STF o inquérito estadual sobre o ICB e a empresária Karina da Gama. Além disso, suspendeu pagamentos de contratos do Poder Público com o instituto.
A decisão, que está sob sigilo judicial, considera que a investigação estadual tem relação direta com apurações federais sobre desvio de emendas parlamentares. O caso envolve o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que tem foro privilegiado. Para o ministro, há indícios de que as suspeitas façam parte de um mesmo esquema de desvio e lavagem de dinheiro.
Contrato e posição da Prefeitura
Antes da decisão, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) havia informado que a Prefeitura de São Paulo procuraria Dino para esclarecer se a medida que impede entidades investigadas de firmar contratos com o poder público também alcançaria acordos já assinados.
Nunes afirmou que, se a proibição se aplicar ao contrato municipal, a gestão poderá romper o acordo anual de R$ 108 milhões com o ICB. O prefeito disse que a contratação passou por licitação aberta durante 30 dias e que 3200 pontos de wi-fi estavam funcionando.
A Prefeitura declarou que não identificou irregularidades na assinatura e na execução do termo de colaboração com o instituto. Também informou que o programa tinha 3.200 pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos registrados. A Controladoria Geral do Município acompanha as investigações e abriu procedimento em maio de 2026.
Suspeitas investigadas
Um relatório da Polícia Federal aponta indícios de movimentação financeira de ao menos R$ 6,1 milhões entre empresas e entidades ligadas a Karina da Gama. Segundo a investigação, recursos que saíram do ICB teriam sido enviados a empresas terceirizadas e depois retornado para a Academia Nacional de Cultura (ANC), organização ligada à empresária.
As entidades funcionam no mesmo endereço, no bairro dos Jardins, no Centro de São Paulo. Entre as empresas citadas estão Complexsys Soluções Integradas Ltda., Fastfuture Tecnologias Emergentes Ltda., Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda. e Distribuidora de Produtos LMS Ltda.
Os repasses apontados somam R$ 6.175.273,64. A Polícia Federal cumpriu buscas contra André Feldman, Débora Gomes Feldman e William Silva Ferreira. Os três foram proibidos de deixar o Brasil.
A defesa de Karina afirmou que ela entregou mais de 20 mil laudas de documentos à Polícia Federal e que colaborou voluntariamente com a apuração. A Complexsys disse que os recursos recebidos foram usados exclusivamente na manutenção da rede de wi-fi e negou relação com o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
A Prefeitura também rejeitou qualquer ligação entre os programas municipais e a produção cinematográfica. O município afirmou que o filme não recebeu recursos municipais.



