A irmã do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, afirma que ainda não consegue dormir e teme pela família quase um mês depois da morte dele, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Fabiana Landeiro também diz que a exposição do caso aumentou o medo entre os parentes.
“É muito triste, eu ainda não consigo acreditar. Não consigo dormir, eu viro a noite, vou dormir de manhã, acordo assustada, pesadelo, tudo”, afirmou Fabiana.
Cláudio foi agredido em 12 de agosto, depois de ser acusado injustamente de furtar uma bicicleta. Ele estava com a bicicleta da irmã quando parou diante de uma loja de brinquedos e de uma farmácia na Rua Barata Ribeiro.
Investigação
As investigações apontaram que Cláudio foi cercado por seguranças particulares e agredido durante cerca de nove minutos. Ele recebeu socos, chutes e golpes com um objeto de madeira. Socorrido pelo Corpo de Bombeiros, foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas morreu após sofrer traumatismo cranioencefálico, hemorragia interna e rompimento de órgãos.
A Polícia Civil analisou mais de 12 horas de imagens e identificou 13 envolvidos. Quatro pessoas foram presas: dois seguranças e dois entregadores de aplicativo. Um quinto homem, identificado como Wellington Luiz Santos de Souza, é considerado foragido. Os demais investigados responderão em liberdade.
Cinco pessoas foram indiciadas por homicídio triplamente qualificado: dois seguranças, dois entregadores e um quinto homem. Também foram apontados crimes de omissão de socorro, lesão corporal e exercício ilegal de profissão. A polícia investiga ainda comerciantes suspeitos de financiar um esquema irregular de segurança privada na região.
Davi dos Santos Machado, um dos seguranças presos, afirmou em depoimento que deu um soco em Cláudio e que recebeu orientação para fotografar a bicicleta. Ele também declarou que não havia informação concreta de furto e que a vítima não ofereceu resistência.
Com o fim do inquérito, a polícia encaminhará as informações ao Ministério Público, responsável por analisar as acusações e decidir sobre eventual denúncia à Justiça.



