Curitiba, Sábado, 3 de outubro de 2026
Curitiba 11°C 11° / 21° Mega-Sena 3065: 8 · 10 · 30 · 38 · 50 · 53
O que acontece aqui, primeiro
Paraná

Mensagens indicam busca por contatos na Polícia Civil para tratar de intimação

Relatório da PF registra que Daniel Vorcaro perguntou sobre contatos na polícia após operador ser convocado em São Paulo.

Mensagens indicam busca por contatos na Polícia Civil para tratar de intimação

Mensagens obtidas pela Polícia Federal registram que o banqueiro Daniel Vorcaro perguntou a um operador se o grupo mantinha contatos na Polícia Civil de São Paulo depois que Antônio Carlos Freixo Júnior recebeu uma intimação do 15º Distrito Policial, no Itaim Bibi, na Zona Oeste da capital.

A conversa faz parte do relatório da investigação sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal. Freixo, que depois firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República, declarou ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão para Vorcaro entre 2020 e 2025.

Em 2 de setembro de 2024, Vorcaro perguntou a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado de “Felipe Mourão” no WhatsApp e de “Sicário” pelo banqueiro e por integrantes do grupo: “Temos civil sp?”. Mourão respondeu: “Sim. Temos.”

Depois de uma ligação de pouco mais de três minutos, Vorcaro enviou a Mourão uma intimação destinada a Freixo. O documento determinava que o empresário comparecesse ao 15º DP, na Rua Doutor Renato Paes de Barros, às 15h30 de 19 de agosto de 2024, para prestar esclarecimentos no IP nº 2.285.284/2023.

A intimação não esclarecia o objeto da investigação nem informava se Freixo seria ouvido como testemunha, investigado ou em outra condição. O documento havia sido assinado por um escrivão identificado inicialmente apenas como Reinaldo. No áudio, Marilson Roseno da Silva afirmou que pediria a alguém para verificar o procedimento. No dia seguinte, Mourão procurou novamente Vorcaro e, após uma ligação, recebeu o nome completo do escrivão: Reinaldo Vieira de Mello Calchot.

O relatório não informa se o grupo conseguiu acessar o inquérito, obter dados sigilosos ou interferir no procedimento relacionado a Freixo.

O grupo citado nas mensagens

A Polícia Federal afirma que “A Turma” era formada por seis pessoas, aparentemente policiais federais, cooptadas para realizar ações de interesse de Vorcaro e de empresas ligadas a ele, principalmente o Banco Master. O grupo seria liderado por Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado em 2022, cuja última lotação havia sido em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Os outros cinco integrantes não são identificados no relatório.

Segundo a PF, o grupo era acionado para levantar informações sobre inquéritos e processos, inclusive sigilosos; consultar dados de pessoas e empresas em sistemas restritos; buscar informações em órgãos policiais; intimidar pessoas que desagradassem Vorcaro; e fazer diligências particulares a pedido do banqueiro.

Mourão atuava como coordenador e intermediário entre Vorcaro e “A Turma”. A PF também atribui a ele a coordenação dos grupos chamados “Os Meninos” e “Os Editores”.

O relatório afirma que empresas ligadas a Vorcaro repassavam mensalmente R$ 1 milhão à King Participações Imobiliárias, pertencente a Mourão. Os valores seriam distribuídos entre os grupos. “A Turma” receberia 40% do pagamento, aproximadamente R$ 400 mil mensais, divididos entre seus seis integrantes.

Os recursos sairiam principalmente da Super Empreendimentos e Participações. Os operadores financeiros apontados são Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, e Ana Paula Queiroz de Paiva.

Nova intimação

Em 5 de setembro de 2024, Vorcaro encaminhou a Mourão outra intimação, dessa vez para que ele próprio comparecesse à Polícia Civil de São Paulo. O documento mencionava o inquérito policial nº 65/2024.

Mourão respondeu que “A Turma” já estava “mexendo e olhando tudo” em relação à intimação anterior. Sobre a nova convocação, afirmou que também enviaria o caso ao grupo, que poderia telefonar ou comparecer onde fosse necessário.

Para a PF, as conversas integram os indícios de que Vorcaro mantinha uma estrutura voltada à obtenção de informações e à mobilização de agentes de segurança pública em benefício próprio e de pessoas ligadas ao Banco Master.

Colaboração de Freixo

Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, trabalhava na Entre Investimentos. Na colaboração premiada, disse que a empresa era usada para gerar dinheiro em espécie destinado a Vorcaro. Segundo o relato, o esquema funcionou entre 2020 e 2025 e movimentou aproximadamente R$ 1,3 bilhão.

As entregas seriam feitas em malas com capacidade para entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão. Motoristas ligados a Vorcaro e a Fabiano Zettel retirariam o dinheiro. A investigação encontrou recibos de compras de malas pela internet que, segundo os investigadores, corroboram parte das declarações.

O relatório sobre “A Turma” não informa que o inquérito do 15º DP estivesse relacionado às entregas de dinheiro descritas por Freixo. Também não esclarece por que Vorcaro tinha acesso à intimação dirigida ao empresário.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.