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Operação em São Paulo expõe cadeia de celulares roubados e furtados

Investigação aponta etapas que vão da subtração em ruas e eventos ao desbloqueio, adulteração e revenda dos aparelhos.

Operação em São Paulo expõe cadeia de celulares roubados e furtados
Foto: Arte/g1

A operação Frank Mobile, realizada pelo Ministério Público e pelas polícias Civil e Militar de São Paulo, revelou uma cadeia organizada para receber, modificar e recolocar no mercado celulares roubados ou furtados. A ação cumpre sete mandados de prisão e quase 90 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de furto, roubo, receptação, adulteração e revenda de aparelhos em todo o país.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o fluxo começa com a subtração de celulares nas ruas, em veículos ou durante eventos. Depois, os aparelhos passam por imóveis, lojas, técnicos especializados em desbloqueio e empresas suspeitas de dar aparência legal aos produtos e às peças.

As quatro etapas identificadas

O Ministério Público dividiu o esquema em quatro núcleos. O primeiro reúne autores de furtos, roubos e outros crimes patrimoniais. O segundo é formado pelos responsáveis pela receptação e pela invasão, etapa em que os aparelhos chegam aos primeiros destinos.

No terceiro núcleo estão técnicos, assistências e pontos comerciais apontados como responsáveis por resetar celulares, remover bloqueios, alterar o IMEI e desmontar aparelhos para reaproveitamento. O quarto envolve pessoas e empresas suspeitas de revender os dispositivos e componentes, inclusive com documentação fiscal e circulação empresarial que dariam aparência regular aos produtos.

A investigação foi construída com relatórios de inteligência, rastreamento de aparelhos, análises fiscais, dados financeiros, depoimentos de colaboradores e conversas extraídas de celulares e computadores apreendidos. O trabalho é um desdobramento de apurações anteriores, como a Operação Salus et Dignitas.

Regiões e eventos citados

O documento do Gaeco, com base no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, registra que o Brasil teve 95 roubos e furtos de celulares por hora em 2025. O estado e a capital de São Paulo concentrariam cerca de 20% dos casos.

Na cidade de São Paulo, o inquérito cita 154.058 celulares roubados ou furtados em 2025, com média de 17 por hora. Apenas cerca de 10 mil foram devolvidos aos proprietários.

A Rua Guaianases, nas regiões de Santa Ifigênia e Campos Elíseos, aparece como um dos principais pontos de recepção dos aparelhos. Pesquisas em sistemas policiais encontraram mais de 500 registros de ocorrência relacionados a celulares na área em pouco mais de dois anos. As ruas Aurora e Timbiras também foram indicadas em rastreamentos de aparelhos de vítimas sem relação entre si.

O Ministério Público considera que a região funciona como um “centro logístico”, onde os celulares chegam, ficam por pouco tempo e são encaminhados para outras etapas. Um dos fluxos citados envolve roubos com violência e furtos mediante quebra de vidro de veículos, com aparelhos localizados depois na região da 25 de Março, especialmente no Shopping Mundo Oriental e na Galeria Pagé.

Outro fluxo começa em grandes eventos, festivais, shows e aglomerações públicas. A apuração cita Lollapalooza, Parada do Orgulho LGBT+, Virada Cultural, The Town, Tomorrowland e Só Track Boa. Nesses locais, os chamados “batedores” fariam os furtos, enquanto os “recolhedores” receberiam os aparelhos rapidamente.

Desbloqueio e exploração de dados

Após a receptação, entram em ação os chamados “icloudeiros”, especialistas em romper as proteções dos celulares. Entre os procedimentos investigados estão o desbloqueio de contas iCloud ou Google, a redefinição de senhas, a restauração de fábrica, a remoção de travas de segurança e a alteração do IMEI.

Segundo o Ministério Público, antes da revenda os criminosos também tentariam acessar aplicativos bancários, contas pessoais e outros serviços das vítimas para realizar PIX, empréstimos e fraudes financeiras.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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