SÃO PAULO — O professor de inglês Ricardo Akira foi agredido por um passageiro na plataforma de uma estação da Linha 5-Lilás, na Zona Sul de São Paulo. Câmeras de segurança registraram o ataque, que aconteceu em 11 de julho e durou cerca de um minuto.
As imagens mostram Ricardo sendo empurrado para fora do vagão e atingido com socos na cabeça. O agressor também o derruba, chuta suas costas e o joga contra uma parede antes de voltar a derrubá-lo na plataforma. Outros passageiros observam a cena, mas não interferem.
O homem foi identificado como Rafael Pereira Gonçalvez Lima, de 41 anos. O caso é investigado pela Delegacia do Metropolitano (Delpom) como homofobia e lesão corporal. A Secretaria da Segurança Pública informou que as imagens foram anexadas ao inquérito e que Rafael foi intimado para prestar depoimento.
Registro da ocorrência
Inicialmente, o boletim de ocorrência foi registrado como lesão corporal de forma recíproca. Ricardo e Rafael foram classificados como “vítima/autor”. Posteriormente, a Secretaria da Segurança Pública informou que a investigação também passou a considerar homofobia. Ricardo deixou de constar como autor e passou a figurar apenas como vítima.
Ricardo afirmou que o agressor gritava ofensas homofóbicas e dizia que havia sido filmado dentro do vagão. Segundo o professor, ele foi agredido quando seguia para o trabalho e sofreu cortes e hematomas no rosto e na cabeça, além de uma perfuração no tímpano.
“Era uma pessoa totalmente desconhecida, nunca vi na minha vida”, disse Ricardo ao relatar o início da agressão, após sentir um chute na perna dentro do trem.
O professor contou que foi empurrado para fora do vagão às 7h48, quando chegou à estação onde desembarcaria. Depois dos socos e chutes, conseguiu escapar e correu em direção à escada rolante.
Um segurança da Motiva, responsável pela gestão da Linha 5-Lilás, foi até a plataforma. Rafael conversou com funcionários por cerca de dez minutos. Segundo Ricardo, os dois foram levados para salas separadas e, depois, encaminhados pela Polícia Militar à UPA Vila Mariana.
Ricardo permaneceu algumas horas em observação, recebeu atendimento médico e fez um raio-X. Ele afirmou que Rafael foi levado ao 27º Distrito Policial, mas acabou liberado após o registro do boletim de ocorrência. Desde o ataque, o professor diz ter medo de andar de metrô sozinho.


