Curitiba, Sábado, 3 de outubro de 2026
Curitiba 11°C 11° / 21° Mega-Sena 3065: 8 · 10 · 30 · 38 · 50 · 53
O que acontece aqui, primeiro
Política

Abin alerta para risco de interferência dos EUA nas eleições brasileiras

Relatório enviado à Presidência, ao TSE e ao Ministério da Justiça aponta escalada da pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil.

Abin alerta para risco de interferência dos EUA nas eleições brasileiras

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) identificou risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. Um relatório reservado, encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, também aponta uma tendência de aumento da pressão estadunidense sobre o Brasil.

O documento classifica a possibilidade de interferência externa com um “nível de criticidade” e relaciona a avaliação à prioridade atribuída pelo segundo governo de Donald Trump à reafirmação da influência dos Estados Unidos na América Latina. A análise menciona ainda o objetivo de afastar rivais, como a China, de ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas da região.

Tarifas e medidas contra autoridades

A Abin avalia que as ações dos Estados Unidos em relação ao Brasil se intensificaram nos últimos meses. Desde abril de 2025, produtos brasileiros exportados para o país passaram a ser atingidos por tarifas. Inicialmente, a alíquota era de 10% para vários países.

Em 30 de julho, Trump assinou uma Ordem Executiva que classificou o Brasil como uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA” e elevou a tarifa total para 50%. Entre as justificativas estavam decisões da Justiça brasileira sobre redes sociais e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

As medidas também incluíram a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e à advogada Viviane Barci Moraes. A legislação prevê bloqueio de contas, ativos e aplicações financeiras nos Estados Unidos, além de restrições a transações com empresas americanas e à entrada no país. Em dezembro de 2025, os nomes de Moraes e de sua esposa foram retirados da lista de sancionados.

Os ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes também tiveram os vistos de entrada nos Estados Unidos cancelados.

Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou tarifas globais impostas por Trump. Mesmo assim, novas medidas foram anunciadas. Em 22 de julho, uma sobretaxa de 25% atingiu 19% das exportações brasileiras. Dias depois, foi aplicada uma tarifa adicional de 12,5%. Atualmente, parte dos produtos brasileiros pode ser tributada em até 37,5%.

Relação diplomática

Apesar das divergências, o governo brasileiro busca preservar as relações diplomáticas e comerciais. Lula costuma afirmar: “eu me dou muito bem com o Trump”. Em junho, porém, disse que o presidente americano “fez uma coisa desaforada” ao sugerir novas tarifas durante as negociações entre os países.

Os dois presidentes se encontraram pela primeira vez em setembro de 2025, durante a Assembleia Geral da ONU, e voltaram a se reunir no mês seguinte, em Kuala Lumpur, na Malásia. O encontro mais recente ocorreu em maio deste ano, em Washington, quando Lula defendeu que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil. Os governos acertaram a criação de uma mesa de negociação.

Além dos encontros presenciais, os presidentes conversaram por telefone ao menos quatro vezes. A última conversa ocorreu em agosto e durou 1h20. Os dois estarão na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na próxima terça-feira (22), mas não há encontro bilateral marcado.

Outras medidas

Em maio deste ano, os Estados Unidos designaram o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O governo brasileiro tentou impedir a medida e avaliou que ela poderia abrir caminho para uma ação militar americana no Brasil ou para sanções econômicas e financeiras.

Em 4 de agosto, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira no país, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O governo americano alegou demora na aprovação do nome indicado por Trump para a embaixada no Brasil. O governo brasileiro contestou a justificativa e afirmou que a divulgação do indicado antes da anuência brasileira violou a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, que continua morando nos Estados Unidos, afirmou ter atuado junto às autoridades americanas em favor das medidas contra o Brasil. Ele foi condenado pelo STF em junho de 2026 e perdeu o mandato por faltar às sessões da Câmara dos Deputados.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.