SÃO PAULO — O empresário Antonio Carlos Freixo Jr, dono da Entre Investimentos e delator do Banco Master, foi registrado como ganhador de 570 prêmios de loteria, com valores que chegaram a R$ 176 milhões entre janeiro de 2020 e junho de 2025. As informações constam de uma representação do Ministério Público à Justiça para autorizar buscas e apreensões em endereços ligados a ele.
Freixo é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro para empresários do setor de combustíveis. As movimentações financeiras também incluem uma transferência de R$ 940 mil feita por uma empresa do empresário para a Wave, companhia citada em diferentes investigações sobre lavagem de dinheiro.
Transferências e investigações
A Wave aparece na denúncia do Ministério Público de São Paulo sobre supostos desvios em um contrato entre a casa de apostas Vai de Bet e o Corinthians. Conforme a acusação, a empresa teria sido usada para movimentar dinheiro e pertenceria a um motoboy, embora tivesse transacionado milhões de reais.
Promotores do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo afirmaram que a apuração identificou uma possível estrutura financeira fraudulenta envolvendo prêmios e apostas. Para o órgão, a movimentação poderia estar relacionada à lavagem de dinheiro de clientes de Freixo.
O empresário, conhecido como “mineiro”, admitiu ser um dos braços do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na geração de dinheiro vivo para operações do dono do Master. A Entre Investimentos foi liquidada pelo Banco Central em março, depois de ser alvo da Operação Compliance Zero.
A delação de Freixo também trata de repasses feitos a pedido de Vorcaro para o fundo que financiou o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O acordo foi firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na operação Crédito Oculto — terceira fase da Operação Carbono Oculto —, Freixo é investigado por sua relação com Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco, e Mouhamad Murad, o Primo. Os dois são donos da Copape e da Aster, distribuidoras de combustíveis investigadas por suspeita de participação em um esquema de sonegação.
As buscas foram realizadas nesta quinta-feira, 24, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal. A medida foi autorizada pelo juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2.ª Vara Criminal de Catanduva, com base em contratos, documentos, mensagens e áudios apreendidos na primeira fase da Operação Carbono Oculto.



