SÃO PAULO — Funcionários do Parque Nascentes do Ribeirão Colônia, em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, acusam a administradora da unidade, Cassia Santos Lima, de reuni-los durante o expediente para pedir votos ao ex-secretário municipal Rodrigo Ashiuchi, candidato a deputado estadual pelo PL.
Vídeos mostram Cassia diante de aproximadamente 20 trabalhadores das equipes de segurança, limpeza, jardinagem e do setor administrativo. Ela teria informado o número de urna de Ashiuchi e dito que os funcionários seriam convidados para eventos políticos. O vídeo foi registrado em 25 de agosto e não será divulgado para preservar a identidade dos envolvidos.
Funcionários ouvidos sob condição de anonimato relataram constrangimento e medo de represálias. Um trabalhador afirmou que houve convite para atividades de campanha no contraturno, como segurar faixas, colocar placas na rua e fazer boca de urna.
“Isso aqui não é uma ameaça, nunca teve ameaça. É uma orientação que foi me passada, então estou repassando pra todos vocês”, disse Cassia na reunião, conforme o áudio. Ela também mencionou pedidos de apoio a Milton Leite Filho e Alexandre Leite.
Apurações e posicionamentos
A Prefeitura de São Paulo informou que a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente não solicita apoio eleitoral e não compactua com convocação de servidores para atividades político-eleitorais. A administração municipal anunciou a abertura de um processo administrativo para apurar a denúncia.
A campanha de Rodrigo Ashiuchi negou ter solicitado, autorizado, incentivado ou tomado conhecimento de reunião com funcionários do parque para pedir votos. Também informou ter oficializado a secretaria municipal para que os fatos sejam apurados e as medidas cabíveis sejam adotadas.
A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo informou que recebeu uma representação e que o caso foi distribuído a um procurador da área eleitoral. Como a análise ainda está em andamento, o órgão não forneceu detalhes.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo afirmou que casos concretos só podem ser avaliados pela Justiça Eleitoral por meio de ação própria. O tribunal também informou que possíveis situações de assédio eleitoral podem ser comunicadas à Justiça do Trabalho, ao Ministério Público do Trabalho ou ao Ministério Público Eleitoral.
Segundo o TRE-SP, a Lei das Eleições proíbe o uso da estrutura da administração pública em benefício de candidaturas, incluindo a utilização de servidores durante o expediente em atividades de campanha. A legislação prevê multas, cassação de registro ou diploma de candidatos beneficiados e responsabilização por improbidade administrativa.
Ashiuichi foi secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente na gestão Ricardo Nunes, de janeiro de 2025 a março de 2026. Ele deixou o cargo para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Cassia, procurada por telefone e mensagem de texto, não respondeu.



