GOIÁS — O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 21 denúncias de assédio eleitoral no estado entre janeiro e setembro de 2026. No Brasil, foram registrados 376 casos no período, contra 85 em 2022.
São Paulo lidera a lista, com 45 acusações, seguido por Rio de Janeiro, com 44, e Minas Gerais, com 32. Goiás aparece na sequência. Somente em setembro, o MPT recebeu 114 denúncias em todo o país.
Para o MPT, o crescimento em relação a 2022 está relacionado à maior consciência dos eleitores sobre a prática. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) define assédio eleitoral como pressão, ameaça, constrangimento, intimidação ou promessa de benefício para influenciar o voto.
Como denunciar
Neste ano, TST, MPT e Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançaram a campanha “No meu voto mando eu” para receber denúncias. Os relatos podem ser enviados pela internet ou pelas ouvidorias dos Tribunais Regionais do Trabalho.
A legislação considera crime ameaçar demitir um funcionário caso determinado candidato perca a eleição. O artigo 300 do Código Eleitoral prevê multa e detenção de até 6 meses para essas situações. A conduta também pode ser enquadrada como abuso do poder político pela Lei das Eleições, a Lei nº 9.504/1997.
Caso em Campestre do Maranhão
Em agosto, servidores acusaram o prefeito de Campestre do Maranhão (MA), Fernando Bermuda, que na época estava no PSB, de ameaçar demitir funcionários da prefeitura caso eles não apoiassem Flávio Bolsonaro (PL) na eleição para o Planalto.
Em uma mensagem de 4 de agosto, o prefeito convocou trabalhadores para um evento religioso e escreveu: “Vamos ao culto hoje na Assembleia de Deus. Todos Flávio Bolsonaro. Quem votar em Lula após a eleição tá na rua”. A mensagem foi distribuída em grupos e canais de transmissão.
Servidores também afirmaram que as ameaças eram recorrentes. Um funcionário que pediu anonimato disse que o assédio moral era constante e relatou perseguições contra quem não atendesse às vontades do prefeito.
Em 2022, o número de denúncias aumentou entre o primeiro e o segundo turno. Naquele período, a maior parte dos relatos envolvia pedidos de voto em Jair Bolsonaro (PL) e manifestações contra Lula (PT).



